Título: Grécia ainda sem socorro
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Fonte: Correio Braziliense, 21/02/2012, Economia, p. 9
Eurogrupo não chega a conclusão sobre o tamanho do prejuízo que assumirá para evitar o calote grego. Reunião continua hoje
Terminaram em impasse as negociações entre os ministros das Finanças da Zona do Euro, em Bruxelas, para o socorro à Grécia. Desde a tarde de ontem até a madrugada de hoje eles buscaram fechar um novo pacote de resgate financeiro. Foram fortes as pressões sobre o primeiro-ministro Lucas Papademos, para que o país continue enxugando os gastos, melhorando as contas públicas para minimizar o risco de calote e, assim, seguir integrando o Eurogrupo. Papademos fez concessões, mas os representantes dos 17 países que compartilham o euro e representantes dos organismos financeiros internacionais não chegaram a uma conclusão sobre o principal: quem vai pagar a conta, para que possam ser liberados os 130 bilhões de euros (US$ 171 bilhões) de que Atenas necessita. As discussões serão retomadas hoje.
Já de madrugada (noite, pelo horário de Brasília) os ministros encontraram maneiras de reduzir o débito da Grécia para entre 123% e 124% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2020. As discussões continuavam, no entanto, porque a meta é enxugar a dívida helênica para 120% do PIB até 2020, alvo acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu (BCE) e a Comissão Europeia.
Para isso, será necessário o apoio dos credores privados do governo grego. Em um encontro paralelo à Cúpula, representantes do Eurogrupo e da Grécia se reuniram com os integrantes do Instituto Internacional de Finanças (IIF), principal negociador dos bancos privados. Os credores concordaram em assumir uma perda maior sobre os seus bônus gregos, de 21%, além dos 50% com os quais já haviam concordado. O IIF, no entanto, não pode assegurar que todos os credores concordarão.
Um ponto espinhoso na reunião de ontem foi a proposta de que o BCE abra mão dos lucros sobre os títulos gregos que detém. O não acordo levaria ao calote grego, podendo contaminar os demais países do bloco. Atenas está prestes a declarar moratória, uma vez que uma parcela de 14,5 bilhões de euros da dívida vence dia 20 de março. O novo empréstimo, somado ao perdão de 100 bilhões de euros do passivo por parte dos credores privados, ajudaria a reduzir parte da colossal dívida grega, de 350 bilhões de euros, equivalente a 160% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas) do país. Mas o novo resgate pode não ser suficiente. Especialistas afirmam que a recuperação da Grécia levará uma década.
Austeridade Na semana passada, o Parlamento grego aprovou medidas de austeridade exigidas por União Europeia, FMI e BCE como pré-condição para a liberação do novo empréstimo.
A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, afirmou ontem que a Grécia "tem realizado esforços muito significativos", mas que é necessário "que as outras partes também façam esforços". "O FMI está disposto a trabalhar nesse sentido", completou Christine. Em 2010, a instituição emprestou 30 bilhões de euros dos 110 bilhões euros do primeiro pacote de socorro à Grécia.
Melhor entre os Bric Os países do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) não se tornaram menos vulneráveis aos choques da economia mundial, apesar do forte crescimento nos quatro últimos anos. A conclusão é da pesquisa Atlas de Risco Global, realizada pela consultoria Maplecroft. Dos quatro emergentes, no entanto, o Brasil é considerado o menos suscetível às crises globais, em razão da estabilidade política e do bom nível de governança.
Bolsas no azul Com a expectativa do acordo pelos ministros de Finanças da Europa para evitar um calote desordenado na Grécia, as ações da região fecharam em alta no pregão de ontem. O índice FTSEurofirst 300 (que reúne os principais papéis europeus) terminou o dia com alta de 0,65%, a 1.090 pontos — o maior resultado desde julho do ano passado. Os ganhos mais elevados foram registrados pelos bancos, segmento diretamente atingido pelo problema da dívida grega. Apenas ontem, na média, as ações do setor se valorizaram 2%. As principais praças da Zona do Euro também fecharam no azul: Londres registrou ganho de 0,68%; Frankfurt, de 1,46%; Paris, alta de 0,96%; Milão, incremento de 1,07%; Madri, de 1,86%; e Lisboa, 0,45%. A decisão de salvar a Grécia se refletiu também na Ásia e Tóquio fechou em alta de 1,1%.
Passageiros foliões
Carnaval do Rio, de Salvador ou de Recife? Nenhum dos três. O "bloco" foi formado no Aeroporto de Frankfurt (Alemanha) por passageiros insatisfeitos com a greve dos controladores. O movimento dos funcionários de solo no terceiro terminal mais movimentado da Europa, que já cancelou centenas de voos na semana passada, chegou ao terceiro dia ontem e deve continuar até a madrugada de quarta-feira. O GdF, sindicato da categoria, e a operadora Fraport não conseguiram chegar a um acordo sobre os salários de cerca de 200 aeroviários que conduzem os aviões para os seus locais de estacionamento nas chegadas e saídas. A Fraport informou que 231 voos, de um total de 1,2 mil programados para ontem, foram cancelados, situação que deve se repetir hoje.