Correio braziliense, n. 19822, 30/08/2017. Política, p. 3.
Jucá cita "fixação"
Renato Souza
30/08/2017
Alvo da terceira denúncia perante o Supremo Tribunal Federal (STF), Romero Jucá, líder do governo no Senado, chamou de “fixação” as ações do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. “Não sei se é fetiche”, afirmou o senador ao ser perguntado sobre as acusações já protocoladas. Investigações da Operação Lava-Jato indicam que o parlamentar cometeu os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
Em 21 de agosto, o peemedebista foi denunciado em um desdobramento da Operação Zelotes. No dia 25, Jucá, Renan Calheiros, Valdir Raupp e Garibaldi Alves foram acusados por suposto envolvimento em esquema de corrupção na Transpetro, a subsidiária de óleo e gás da Petrobras.“Eu diria que pelo menos é uma fixação. Ele até deu declaração sobre o meu bigode, não sei se é um fetiche, não sei se é alguma coisa”, disse Jucá.
O senador criticou o procurador-geral, afirmando que ele está contra a política brasileira. “Eu confio na Justiça. Quem parece que não confia na Justiça é o senhor Rodrigo Janot. Não dá para se transformar em um justiceiro, passando por cima da lei e fazendo uma ação deliberada contra a política brasileira”, completou o senador. Ele negou envolvimento nos crimes e disse “que não tem nada a dever”. Na denúncia mais recente, o Ministério Público acusa Jucá de receber propina de R$ 150 mil. Os valores teriam sido repassados para que ele atuasse para favorecer a Odebrecht na tramitação de medidas provisórias. Janot não se pronunciou sobre as declarações de Jucá até o fechamento desta edição.