Título: Bolsas têm forte queda
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Fonte: Correio Braziliense, 11/02/2012, Economia, p. 21
Os pregões no exterior e no Brasil não resistiram a novo entrave no socorro à Grécia. Ações da Petrobras despencaram 8,3%
As bolsas de valores no mundo e no Brasil não aguentaram as más notícias de um lado a outro do Atlântico e fecharam ontem em forte baixa. As ações europeias registraram a queda mais acentuada desde o fim de janeiro, com os investidores livrando-se de papéis dos bancos, diante das incertezas sobre a aprovação de um segundo resgate para a Grécia pelos ministros de Finanças da Zona do Euro. O índice FTSEurofirst, que mede as principais ações da região, recuou 0,9%. Em Wall Street, a Bolsa de Nova York caiu 0,69%, ao reagir negativamente ao recuo do índice de confiança do consumidor americano. A notícia de que as importações da China desabaram 15% em janeiro, o maior índice desde agosto de 2009, ajudou a azedar o humor dos investidores.
No Brasil, o pregão sofreu mais ainda e caiu 2,34%, pois, além das más notícias vindas do exterior, o Ibovespa, que acompanha a valorização dos principais papéis, sofreu com a brutal desvalorização das ações da Petrobras e voltou para os 63.997 pontos. Foi o terceiro dia negativo e a bolsa brasileira encerrou a semana com perdas de 1,84%, interrompendo a tendência de alta retomada em janeiro. No ano, acumula ganhos de 12,76%.
Os investidores reagiram com decepção ao lucro 52% menor registrado pela estatal no último trimestre de 2011 em relação ao mesmo período de 2010, o que fez o resultado positivo no ano ficar em R$ 33,3 bilhões, abaixo dos R$ 35,1 bilhões de 2010. As ações ordinárias da Petrobras caíram 8,3%, cotadas a R$ 25,25, e as preferenciais, 7,8%, ao preço de R$ 23,50. Os papéis das siderúrgicas também sofreram. A ação preferencial da Usiminas (USIM5) recuou 4,44%, e da Gerdau (GGBR4), 4,09%, a R$ 17,60. A Vale até que se segurou num dia ruim, fechando o papel preferencial com queda de 1,73%.
Após semanas de questionamentos e incertezas, um acordo parecia praticamente assegurado na Grécia, quando políticos gregos concordaram com um pacote de medidas de austeridade para acalmar os seus financiadores, deflagrando um rali de alívio nos mercados mundiais. Animados, os mercados europeus fecharam em alta na quinta. Mas apareceram problemas durante a noite, com os ministros da Zona do Euro dizendo que Atenas precisa adotar mais medidas de austeridades. No país grego, parlamentares de oposição se opõem a arrocho mais forte.
"É mais uma extensão do drama grego e confirma que os mercados precificaram até certo ponto que conseguiremos passar por isso. Então, se a probabilidade de um default caótico aumenta um pouco, isso pesa no mercado", afirmou o chefe de estratégia do ING Investment Management, Valentijn van Nieuwenhuijzen. Em Londres, a queda foi de 0,73%, em Frankfurt, de 1,41%. A bolsa italiana recuou 1,76% e a de Madri, 1,18%.
Dólar Com o mau humor dos mercados acionários e o aumento da aversão ao risco por conta da situação instável da Grécia, a moeda norte-americana fechou em alta pelo segundo dia consecutivo, com ganho de 0,31%, a R$ 1,727. Na semana, a valorização é de 0,55% e de 1,17% em fevereiro. No ano, acumula ganho de 7,59%.
Ladeira abaixo
Mercados derretem mundo afora
Bolsas - Variação São Paulo -2,34% Nova York -0,69% Nasdaq -0,80% Grécia -3,23% Milão -1,76% Paris -1,51% Frankfurt -1,41% Madri -1,18% Lisboa -0,84% Londres -0,73% Japão -0,61% China +0,10%