Título: Europa sem paciência
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Fonte: Correio Braziliense, 11/02/2012, Economia, p. 22
Após dois anos de crise, a Europa dá sinais de que já não confia em que Atenas possa cumprir com as reformas exigidas em troca de ajuda financeira e alguns dirigentes já falam de uma Zona do Euro reduzida a 16 membros. O acordo atingido na quinta-feira entre Grécia e seus credores institucionais (União Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) não foi suficiente para os europeus.
Ao fim da reunião em Bruxelas, o Eurogrupo (grupo dos ministros de Finanças dos 17 países que adotaram o euro) exigiu dos gregos "ações concretas" antes da próxima quarta-feira.
Se o país não conseguir responder às exigências, a Europa não desbloqueará o resgate de 130 bilhões de euros para evitar o calote da dívida.
Garantias A Grécia tem menos de uma semana para cumprir três condições. Em primeiro lugar, o parlamento precisará aprovar amanhã o plano de austeridade acordado pelos líderes partidários. Além disso, o governo grego terá que apresentar uma economia extra de 325 milhões de euros no orçamento para 2012 do país. A Zona do Euro também exige que os partidos da coalizão no poder em Atenas apresentem "fortes garantias políticas" sobre seu apoio ao plano de austeridade.
Caso a Grécia não receba os fundos, o país não poderá honrar, em 20 de março, o próximo vencimento de sua dívida, de 14,4 bilhões de euros, o que a obrigará a declarar a suspensão dos pagamentos. Atenas negocia de maneira paralela com seus credores privados (bancos e fundos de investimentos), um perdão de 100 bilhões de euros do total de seu débito, que se eleva a 360 bilhões de euros. A ideia é reduzir essa colossal dívida de atualmente 160% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para 120% até 2020.