Título: Gregos voltam à estaca zero
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Fonte: Correio Braziliense, 11/02/2012, Economia, p. 22
Falta de acordo na coalizão de governo e exigências dos credores elevam o clima de tensão. Trabalhadores cruzam os braços
Complicou-se ontem a negociação da dívida da Grécia. O líder de um partido da extrema-direita na coalizão governista se negou a assinar um acordo que previa socorro de 130 bilhões de euros, do qual o país precisa para não ir à falência. "Expliquei aos outros líderes políticos que não posso votar esse empréstimo", disse George Karatzaferis, chefe do LAOS.
O partido de Karatzaferis tem 15 deputados no parlamento grego de 300 cadeiras, o que significa que a sua recusa em apoiar o governo não evitaria que o acordo fosse aprovado no parlamento. Mas o posicionamento dele gera mais tensão interna, aumentando o coro dos insatisfeitos. Ele também pediu uma reforma do Estado, liderado pelo primeiro-ministro, Lucas Papademos, e criticou a principal autoridade do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a Grécia, Poul Thomsen. "Se quisermos que as coisas andem, Thomsen deve ser declarado persona non grata na Grécia", disse.
Os credores, a União Europeia (UE) e o FMI, são muito impopulares entre os gregos por causa das medidas de austeridade dolorosas que exigiram em troca de um resgate que evite o calote da dívida. Ontem, os trabalhadores gregos entraram em greve, ancorando navios e paralisando o transporte público, horas após os ministros das Finanças da Zona do Euro dizerem que Atenas precisa fazer mais cortes para convencê-los a liberar a ajuda financeira.
As exigências dos credores podem ter ido longe demais. Os gregos, já sofrendo com cinco anos consecutivos de recessão, estão cada vez mais irritados com as medidas que não devem trazer alívio à economia. Um entre cada cinco cidadãos está desempregado, lojas fecham e famílias estão apertando o orçamento. A praça central de Atenas, Syntagma, em frente ao parlamento, tremia com palavras de ordem proferidas em alto-falantes para uma maratona de protestos: "Não a demissões! Não a cortes de salários! Não a cortes de pensão! Não baixem suas cabeças! Resistam!"
Oprimeiro-ministro disse, porém, que a Grécia deve fazer o que for possível para aprovar o acordo de socorro. "Não podemos permitir que o país quebre", afirmou. Ele ressaltou que qualquer integrante do governo que não concordar com as condições impostas pelos credores deve sair do governo.
Reforma na Espanha O governo espanhol aprovou ontem uma reforma do mercado de trabalho que prevê principalmente a redução das indenizações por demissão, de 45 dias para 33 dias de salário por ano trabalhado. "O objetivo do governo é interromper o aumento do desemprego", explicou a ministra do Emprego, Fátima Báñez, uma vez que o custo das demissões tem sido apontado como uma das principais causas da falta de novas contratações pelas empresas. A Espanha registra uma taxa de desocupação recorde entre os países industrializados, de 22,85% da população economicamente ativa.