Título: Falta empolgação
Autor: Tranches, Renata
Fonte: Correio Braziliense, 11/02/2012, Mundo, p. 27
Enquanto se prepara para a escolha de um nome único para enfrentar Hugo Chávez nas eleições de 7 de outubro, a oposição planeja uma estratégia de campanha que prevê até uma associação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para analistas ouvidos pelo Correio, as medidas não empolgam muito o eleitorado. Segundo o cientista político Oscar Reyes, da Universidade Católica Andrés Bello (Caracas), a falta de um discurso comum dos opositores dá vantagem a Chávez. "Seu partido lhe obedece e há apenas uma linha de ação nacional, regional e local", explicou. Reyes acredita que, apesar de dispor de muitos recursos, a Mesa de Unidade Democrática (MUD) carece de criatividade e de "coração". "No fundo, Chávez segue uma razão, ainda que seja um louco."
A falta de uma figura carismática é um dos pontos fracos dos oponentes. Na ânsia de encontrar um modelo que agrade à população, Henrique Capriles Radonski, governador de Miranda, chegou a se associar a Lula, dizendo que as políticas sociais do líder brasileiro seriam sua inspiração. As declarações, segundo o historiador Miguel Tinker Salas, colocaram Radonski em uma posição desconfortável com os conservadores radicais da oposição, que buscam desmantelar as políticas sociais da era Chávez e adotar o neoliberalismo. (RT)
Reeleição ilimitada Em 2009, um referendo popular aprovou uma emenda constitucional na Venezuela que permite a reeleição ilimitada do presidente e dos detentores dos demais cargos públicos no país. A vitória beneficiou o presidente Hugo Chávez (foto). Autor do projeto e em seu segundo mandato consecutivo, ele pode se candidatar novamente este ano e assim por diante. Na época, Chávez alegou que precisava de mais 10 anos no poder para consolidar a chamada Revolução Bolivariana e aprofundar as conquistas sociais que afirma ter obtido desde sua eleição, 14 anos vatrás.