Título: Segundo escalão reformulado no MEC
Autor: Lyra, Paulo De Tarso
Fonte: Correio Braziliense, 08/02/2012, Política, p. 4

Ministro troca cinco secretários. Pelo menos uma mudança serviu para acomodar aliado petista. Situação se repetiu no BNDES » PAULO DE TARSO LYRA » PAULA FILLIZOLA

O discurso da presidente Dilma Rousseff de privilegiar as escolhas técnicas para o segundo escalão federal nem sempre é seguido à risca. No Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e no Ministério da Educação, por exemplo, pelo menos duas nomeações ontem foram ditadas pela política de beneficiar grupos do PT.

No BNDES, Guilherme Lacerda foi nomeado diretor de Infraestrutura Social, Meio Ambiente, Agropecuária e Inclusão Social. Ele ocupa a vaga deixada por Elvio Lima Gaspar. Lacerda é ex-presidente do Funcef, fundo de pensão ligado à Caixa Econômica Federal, e aliado dos ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken, além do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lacerda licenciou-se do cargo em 2010 para concorrer a deputado federal pelo PT do Espírito Santo, mas não conseguiu se eleger e, desde então, estava alijado da burocracia federal. Agora, assume o cargo no lugar de Gaspar, exonerado ontem.

Guilherme Lacerda também integrou o grupo de economistas que preparou o Plano de Governo do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva nas campanhas eleitorais de 1989 e 1994 — em 2002, foi o coordenador-geral da campanha de Lula no Espírito Santo.

No Ministério da Educação, Luiz Cláudio Costa foi anunciado oficialmente como o novo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), após seu nome ser publicado no Diário Oficial da União. Amigo do ex-ministro Fernando Haddad, Costa é formado em engenharia agrícola e foi reitor da Universidade Federal de Viçosa. A pedido de Haddad — que deixou o MEC para concorrer à prefeitura de São Paulo em outubro —, Costa permaneceu na pasta.

Apesar de Costa ter experiência no setor, pois atuou como secretário de Educação Superior (Sesu) em 2011, no MEC, a nomeação do secretário para cuidar da autarquia responsável pela aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é vista como uma forma de acomodar um aliado do PT — e de Haddad.

Além do Inep, o ministro Aloizio Mercadante confirmou mudanças em quatro das seis secretarias da pasta. Ao contrário da indicação de Luiz Cláudio Costa, as demais alterações seguiram caráter predominantemente técnico.

Amaro Henrique Lins, ex-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e ex-reitor da Universidade Federal de Pernambuco, assume o lugar de Luiz Cláudio Costa na Sesu.

Na Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino (Sase), entra Arnóbio Marques de Almeida Júnior, conhecido como Binho Marques. Ele já foi governador, vice-governador e secretário de Educação do Acre.

Na Secretaria de Educação Básica (SEB), entra César Callegari, ex-secretário municipal de Educação de Taboão da Serra (SP) e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE). Por último, o pesquisador em ciência econômica Marco Antonio de Oliveira comandará a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec). Ele era secretário de Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia, ex-pasta de Mercadante.

Creches Mercadante disse ontem que a meta de construir mais de 6 mil creches até 2014 — um dos principais programas de campanha da presidente Dilma Rousseff — vai depender das prefeituras. Até agora, só foi concluído um terço do prometido. Segundo o ministro, os municípios recebem os recursos do governo federal, mas levam até dois anos e meio para terminar a construção das instituições. Para acelerar o cumprimento do objetivo, o ministro afirmou que a pasta prepara licitações para disponibilizar às prefeituras "novo métodos construtivos".