Título: Longe do fim
Autor: Ribas, Sílvio
Fonte: Correio Braziliense, 05/03/2012, Economia, p. 7
Apesar de os conflitos entre os Gradin e os Odebrecht virem se arrastando, com repercussões no mundo político e em instituições financeiras internacionais, ambos os lados asseguram que os negócios do conglomerado não foram prejudicados. Os especialistas, porém, se mostram apreensivos e ressaltam que a discórdia instalada no capital de um sistema de 12 empresas pode ter simples razões matemáticas e geracionais. A divisão dos 20,6% das ações da Graal entre filhos e netos de Victor Gradin renderia, individualmente, percentuais e valores maiores que a mesma partilha dos 62% dos Odebrecht — uma família numerosa.
O advogado Luís André Moura Azevedo, sócio do escritório paulista Carvalhosa & Eizirik, que defende a Graal, afirma que o Tribunal de Justiça da Bahia manifestou-se, repetidamente, a favor da arbitragem ou da conciliação. E nega que a Kieppe tenha deixado a primeira parte dos recursos da indenização de US$ 1,5 bilhão à disposição de seus clientes. Francisco Bastos, advogado dos Odebrecht, defende que a arbitragem não é a obrigatória, mas, sim, uma mera alternativa. "Esperamos que a Justiça deixe claro que todas as decisões tomadas pelos controladores têm respaldo legal", diz.
Além da arbitragem, as dúvidas sobre o valor das ações do grupo ainda correm por fora nessa batalha. Para Azevedo, os Gradin fizeram vários questionamentos sobre os laudos de avaliação patrimonial do conglomerado realizados em 2003 e 2004 pelo banco Credit Suisse. "As diretorias do banco em suas sedes em Nova York e Zurique já foram advertidas disso", sublinha. Em sua última avaliação, o patrimônio foi calculado em R$ 9,8 bilhões. A Odbinv informa que o Credit Suisse audita as empresas do grupo desde 2001 — exceto em 2010, pois, naquele ano, todas as opções de compra de ações teriam sido exercidas, menos às da Graal, ou seja, com tantos argumentos contra e a favor e uma ampla guerra de pareceres e recursos, o conflito que domina o meio empresarial indica estar longe do fim.