Título: Nem socorro do BCE anima bolsa
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Fonte: Correio Braziliense, 01/03/2012, Economia, p. 15
Instituição europeia irriga a economia com 530 bilhões de euros emprestados a bancos
Frankfurt e Barcelona — Depois de dezembro, a segunda operação promovida pelo Banco Central Europeu (BCE) para aumentar a liquidez nos bancos da região, realizada ontem, não foi suficiente para fazer as bolsas de valores fecharem em alta. Com oferta de 530 bilhões de euros a juros baixos, um total de 800 instituições financeiras acessou o dinheiro barato, superando os 489 bilhões de euros emprestados no fim de 2011. Mas a resistência do Federal Reserve (Fed, o BC norte-americano) de adotar política semelhante nos Estados Unidos, segundo o presidente da instituição, Ben Bernanke, desanimou os investidores. A Bolsa de Valores de São Paulo reagiu mal e fechou com queda de 0,22%, a 65.811 pontos.
Na Europa, os principais centros financeiros, à exceção da ligeira elevação de 0,04% em Madri e Lisboa, fecharam no vermelho. Com maior perda, a Bolsa de Londres encerrou o dia com recuo de 0,95%, seguida por Madri (-0,71%) e Frankfurt (-0,46%). Mais afetada pelos dados pouco animadores sobre a recuperação de sua economia, a Bolsa de Nova York encolheu 0,41%. Mas, na Europa, há quem veja dias mais tranquilos à frente com a nova política do BCE. "Isso aumentará muito o nível de liquidez, que finalmente está positivo para operações de risco", disse Luca Cazzulani, analista do UniCredit. A leitura do mercado é de que a autoridade monetária europeia está mostrando que tem poder de fogo.
Protestos Tanto o é que as taxas de retorno dos títulos públicos da Itália e Espanha, uma medida do grau de nervosismo dos investidores, caíram aos níveis mais baixos em meses, após a oferta de financiamento barato do BCE. Mas, embora o dinheiro extra deva facilitar o acesso de países em dificuldade ao mercado de títulos públicos, alguns analistas ainda acreditam que os papéis italianos e espanhóis continuam caros. Os retornos de títulos de dois anos da Itália caíram para 2,27%, o menor nível desde o final de 2010, enquanto os dos papéis de 10 anos diminuíram para 5,26%, o menor nível desde setembro. Os títulos espanhóis de dois anos estão pagando 2,44% (redução de 12 pontos percentuais) e os de 10 anos, 5% (queda de 5,3 pontos).
No mesmo dia em que a autoridade monetária europeia tentou sanar a crise injetando recursos na economia, os estudantes espanhóis foram às ruas protestar contra as medidas de austeridade adotadas pelo governo conservador do primeiro-ministro Mariano Rajoy. Em Barcelona, milhares de alunos secundaristas e universitários protestaram contra as medidas restritivas. Em manifestações marcadas pela violência e prisões, eles gritavam frases como "menos cortes, mais educação". Os protestos foram convocados para reforçar ainda o fracasso das autoridades em cumprir a promessa de redução do deficit público. O número deveria ter ficado em 6% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, mas fechou em 8,51%.