Título: Europa mantém juros em 1%
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Fonte: Correio Braziliense, 09/03/2012, Economia, p. 13

O Banco Central Europeu (BCE) manteve ontem sua taxa básica de juros sem alterações, em 1%. A medida era esperada com ansiedade pelos analistas, por dois motivos principais: a economia da região está se estabilizando, apesar de o crescimento ser anêmico, enquanto que a inflação continua sob pressão devido à elevação dos preços do petróleo.

A instituição reviu suas previsões para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) da Zona do Euro em 2012. Mario Draghi, presidente do BCE, espera redução de 0,1% em vez do crescimento de 0,3% projetado anteriormente. O BCE prevê ainda uma inflação de 2,4% em 2012 na região, contra 2% previstos na última estimativa. Para 2013, o crescimento será de 1,1% e a inflação, de 1,6%.

No início do mês, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que o banco deveria baixar ainda mais sua taxa de juros referencial para impulsionar o crescimento econômico na deteriorada zona do euro. Enquanto os governos estão cortando gastos para reduzir seus deficits, o impacto que isso poderia ter na desaceleração do crescimento poderia ser compensado por taxas mais baixas e outras possíveis medidas do BCE, observou o FMI.

"A política monetária do BCE deveria ser altamente flexível, coerente com seu objetivo de garantir uma estabilidade de preços. Isso poderia ser obtido reduzindo a taxa de juros, para o qual há margem de manobra, e se for necessário, poderiam ser aplicadas novas medidas extraordinárias", destacou o Fundo. Para o analista Holger Schmieding, da Berenberg Bank, uma eventual futura alteração seria para elevá-la, mas isso não deve acontecer antes de março de 2013.

Tombo no Japão O Japão divulgou ontem dois indicadores que mostram quanto a sua economia foi afetada pelos efeitos do terremoto e do tsunami de 11 de março. O Produto Interno Bruto (PIB) de 2011 caiu 0,7%. Em janeiro deste ano, a balança de transações correntes registrou deficit inédito de R$ 437,3 bilhões de ienes (US$ 5,4 bilhões). Um ano antes, em janeiro de 2011, o país havia registrado superavit de quase 550 bilhões de ienes. O desempenho ruim em janeiro de 2012 deve-se à queda das exportações, por causa da redução da atividade econômica internacional.