Título: Grécia dá calote de 100 bilhões de euros
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Fonte: Correio Braziliense, 09/03/2012, Economia, p. 13
O país consegue convencer 95% dos credores a perdoar mais da metade de suas dívidas no último dia concedido pelas autoridades da Zona do Euro e pelo FMI para receber ajuda
O governo grego conseguiu fazer com que os bancos privados perdoassem mais de metade da sua dívida pública. Em uma complexa operação de troca de títulos, Atenas obteve adesão voluntária das instituições que detêm 95% do total dos seus papéis. Esse percentual superou as expectativas do primeiro-ministro Lucas Papademus, que esperava 90% de adesão. Detentoras de 206 bilhões de euros em títulos do governo grego, as instituições financeiras e as seguradoras privadas aceitaram o calote de cerca de 100 bilhões de euros para não perderem tudo o que têm em mãos. Os credores concordaram em receber novos papéis que valem 53,5% menos.
A Grécia tinha prazo até ontem para conseguir convencer os investidores a aceitar a troca dos títulos. Essa foi a condição imposta pelos ministros das Finanças da Zona do Euro, o Eurogrupo, juntamente com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) no acordo feito com o governo grego em 21 de fevereiro, para liberar a entrega do segundo pacote de ajuda de 130 bilhões de euros. O prazo para cumprimento do acordo terminou ontem.
Em cima da hora "Cerca de uma hora antes de o prazo expirar, a taxa de adesão estava em quase 95%", disse uma autoridade grega à agência internacional Reuters. Com essa renegociação, a Grécia caminha rumo à redução do peso da sua dívida pública sobre o Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas produzidas no país), dos atuais 160% para 120,5% até 2020.
Essa reestruturação também era vital para evitar que Atenas declarasse a moratória no próximo dia 20 para os 14,4 bilhões de euros em obrigações que vencem nessa data. Pelo programa de troca, a cada 100 euros da dívida pública, o governo grego emitirá novos títulos no valor de 46,5 euros para que, assim, os investidores renunciem ao resto. Entre os grandes bancos que oficializaram a adesão estão Deutsche Bank, Commerzbank, Allianz, HSBC, BNP Paribas, Société Générale, Royal Bank of Scotland, Metlife, Dexia e os gregos Banco Nacional da Grécia, Alpha Bank e Eurobank.
O balanço da operação será feito na manhã de hoje pelo ministro das Finanças, Evangelos Venizelos. Ele também deverá anunciar se a Grécia ativará as cláusulas de ação coletiva (CAC), que obrigam os credores minoritários que não quiseram participar voluntariamente da operação de troca a fazê-lo.
-------------------------------------------------------------------------------- adicionada no sistema em: 09/03/2012 02:39