Valor econômico, v. 17, n. 4351, 29/09/2017. Política, p. A7.
Glaucos não esclarece assinatura de parte de recibos
André Guilherme Vieira
29/09/2017
O dono do apartamento vizinho ao de Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campo, Glaucos da Costamarques, solicitou ontem ao juiz federal Sergio Moro o envio de ofício ao hospital Sírio-Libanês para obter registros da entrada do contador João Muniz Leite, que, segundo ele, levou ao local, em dezembro de 2015, 10 recibos de aluguel referentes àquele ano, a pedido do advogado do ex-presidente, Roberto Teixeira. Costamarques estava internado para a realização de exames, conforme sua versão.
Lula, Costamarques e Teixeira são réus na mesma ação penal em que o Ministério Público Federal (MPF) acusa o petista de ser o beneficiário de R$ 12,4 milhões em propinas da Odebrecht, na forma de um terreno para o Instituto Lula e no apartamento contíguo à residência do ex-presidente. Lula seria o dono oculto do imóvel e Costamarques - proprietário de direito do bem - seu laranja, segundo a Lava-Jato. A defesa do ex-presidente nega as acusações e tem reiterado que o apartamento foi de fato alugado e que os aluguéis foram quitados.
A petição feita pela defesa de Costamarques a Sergio Moro não esclarece, no entanto, onde e quando foram assinados os outros 16 recibos, que têm datas de recebimento dos aluguéis declaradas em 2011, 2012, 2013 e 2014.
Os advogados de Costamarques sustentam que ele assinou, em dezembro de 2015, os recibos referentes aos aluguéis de janeiro, março, abril, maio, junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro daquele ano.
"Em dia próximo, seguinte à visita do doutor Roberto Teixeira em data não exatamente precisada, mas entre 7 de dezembro de 2015 e 29 de dezembro de 2015, Glaucos da Costamarques também recebeu no Hospital Sírio-Libanês a visita do contador João M. Leite, que foi colher assinaturas nos recibos, referentes ao ano de 2015".
De acordo com a petição destinada à 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, Costamarques "coloca-se inteiramente à disposição de vossa excelência para, presencialmente e de viva voz, esclarecer quaisquer outras questões do episódio em causa".
No documento, os advogados de Costamarques reiteram a versão do engenheiro relatada ao juiz Sergio Moro em interrogatório ocorrido em 6 de setembro.
Ele teria recebido solicitação de seu primo, o pecuarista e amigo de Lula, José Carlos Bumlai, já condenado em primeira instância pela Lava-Jato, para adquirir o imóvel. Bumlai não tinha condições de comprá-lo naquele momento, segundo Costamarques.