Valor econômico, v. 17, n. 4365, 20/10/2017. Política, p. A6.
Temer tenta manter placar contra denúncia
Andrea Jubé
20/10/2017
O governo vai exonerar os ministros com mandatos de deputado federal para reforçar a captação de votos em suas bancadas e o placar da votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, prevista para a próxima quarta-feira. Dos 28 auxiliares do primeiro escalão, pelo menos nove devem reassumir os mandatos a partir de segunda-feira.
O Planalto repete a estratégia adotada na votação anterior, com a ressalva de que o ambiente agora está mais tensionado do que na análise da primeira acusação. Os prognósticos são de que Temer terá menos votos desta vez.
Um aliado com trânsito no Planalto e com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) diz que Temer viveu "a semana mais difícil de seu mandato", entre o dia 16 e hoje. As desconfianças e a mágoa dos últimos dias entre Maia e Temer - que o presidente da Câmara classificou como "incompreensões", - atingiram o ápice e bombeiros foram acionados para controlar o incêndio.
Os deputados estão insatisfeitos com a relação com o Planalto. Um parlamentar aponta, como exemplo desse descontentamento, o resultado da votação no dia 26 de setembro, há quase um mês, que quase retirou o foro privilegiado do ministro da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco (PMDB), que é igualmente réu na segunda denúncia, ao lado de Temer e do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.
Naquela votação, por apenas cinco votos, os deputados mantiveram a recriação da Secretaria-Geral da Presidência. Um destaque apresentado pelo PSOL propunha a extinção da pasta, o que retiraria a prerrogativa do foro privilegiado de Moreira Franco. A proposta foi rejeitada por 203 votos contra 198. Durante a votação, Rodrigo Maia disparou mensagens aos governistas pedindo que fossem ao plenário votar a medida provisória.
As exonerações começam a ser publicadas na edição de hoje do Diário Oficial da União (DOU). Ontem a Casa Civil avaliava quais auxiliares seriam escalados: dos 11 ministros com mandatos, só não foram convocados os titulares da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR) e do Desenvolvimento Social, Osmar Terra (PMDB-RS). No caso de ambos, não há risco de que seus suplentes votem desfavoravelmente a Temer.
Auxiliares do grupo restrito do presidente não declaram nenhuma expectativa de placar, ao contrário da rodada anterior quando se falava em 270, 280 votos. Agora, segundo aliados, Temer deverá alcançar entre 230 e 240 votos.
Os mais pessimistas falam em 210. Na primeira denúncia, foram 263 votos - mais que a maioria absoluta de 257.
Na análise da primeira denúncia em 3 de agosto, os ministros reassumiram os mandatos de deputado federal e intensificaram a articulação em suas bancadas para reforçar os votos pró-Temer. Ministros como Maurício Quintella Lessa (PR), dos Transportes, Fernando Coelho Filho (PSB), de Minas e Energia, Leonardo Picciani (PMDB), do Esporte, Bruno Araújo (PSDB), de Cidades e Antônio Imbassahy (PSDB), da Secretaria de Governo e articulação política foram líderes de suas bancadas e exercem forte influência sobre os deputados.
Além desses cinco, também retornarão à Câmara: Raul Jungmann (PPS), da Defesa, Mendonça Filho (DEM), da Educação, Ronaldo Nogueira (PTB), do Trabalho e Marx Beltrão (PMDB), do Turismo.