Título: Semana começa com tensão
Autor: Correia, Karla
Fonte: Correio Braziliense, 12/03/2012, Política, p. 3
Depois da derrota do governo na recondução do diretor-geral da ANTT, Senado terá amanhã depoimento do ministro da Fazenda
Em meio à pior crise que já enfrentou no relacionamento com a base aliada, a presidente Dilma Rousseff tem, nesta semana, teste de fogo no Congresso com o depoimento do ministro da Fazenda, Guido Mantega, à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). Mantega foi convidado pela comissão oficialmente para falar sobre a situação econômica do país em um cenário de crise internacional. Mas sua presença no Senado amanhã é vista pelo Planalto como um flanco aberto para ataques no setor mais sensível do governo, a equipe econômica. Os possíveis questionamentos sobre a crise instalada entre o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, e o da Previ, Ricardo Flores, e sobre o episódio da demissão do presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, são as principais preocupações do Planalto. Ele foi exonerado em janeiro deste ano por suspeita de receber propina e fazer remessas de dinheiro a duas empresas abertas no exterior em seu nome e no nome de sua filha.
Mantega, na ocasião, atribuiu a indicação do acusado ao PTB, gerando atrito entre a sigla e o governo.No mesmo dia, Dilma irá ao Senado receber o prêmio Bertha Lutz, concedido pela Casa a mulheres que contribuíram para a ampliação dos direitos e do espaço da mulher na sociedade. Na semana passada, o Senado protagonizou o que, até agora, é considerado o episódio mais grave da rebelião aliada contra Dilma ao rejeitar a recondução de Bernardo Figueiredo, ao cargo de diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Na Câmara, o clima não é menos tenso. Com a aprovação da Lei Geral da Copa e do Código Florestal em jogo, o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), já deixou claro que o andamento da agenda legislativa do governo, no momento, dependerá dos gestos que o governo fizer para atender demandas de sua base e, dessa forma, fazer arrefecer a rebelião aliada.
O vice-presidente Michel Temer foi escalado pela presidente para acalmar os ânimos dentro de seu partido, o PMDB, foco principal das queixas sobre a falta de interlocução e de espaço no processo decisório do governo. "São duas votações que envolvem temas delicados e exigem muita atenção da parte do Planalto", diz o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). No caso da Lei Geral da Copa, o principal embate se dará em torno da questão da venda de bebidas nos estádios, já encampada pelo governo, mas que enfrenta dura oposição das frentes parlamentares da saúde e dos evangélicos. Em torno do Código Florestal, pesam, sobretudo, as discórdias sobre a possibilidade do retorno da emenda 164, que anistiava plantações e pastos feitos em áreas de proteção permanente até 2008, e a exigência de recomposição florestal nas áreas de expansão urbana na razão de 20 m2 por habitante, que encarecerá os projetos sociais de habitação do governo. Para acalmar os ânimos nos partidos aliados, a presidente inicia, nesta semana, uma série de reuniões com líderes das legendas governistas, na tentativa de azeitar as relações entre governo e Congresso. O primeiro da fila será o PMDB. A principal reclamação dos partidos da base é a alegada vantagem dada pelo governo ao PT sobre as demais legendas da coalizão na distribuição de postos na Esplanada, cargos de segundo escalão, emendas parlamentares e até mesmo ao lado da presidente, em inaugurações e solenidades, capitalizando resultados positivos do governo federal. No comando de cinco ministérios, o PMDB ainda se ressente da falta de autonomia nas pastas. Além da centralização do processo decisório nas mãos da mi nistra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, os ministros geralmente são cercados por secretários-executivos e diretores da confiança de Dilma.
Justiça determina penhora de bens do Grupo OK
A 19ª Vara Federal do Distrito Federal determinou a penhora de R$ 2,7 milhões, em benefício da União. Esse valor deve ser transferido na forma de bens para o Grupo OK Construções e Incorporações Ltda., acusado de desviar recursos das obras do TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo), entre 1994 e 1998. A Procuradoria Regional da União da 1ª Região requereu que fossem repassados à União os valores que seriam executados em favor do Grupo OK, relativos a dois imóveis localizados em Brasília, um deles avaliado em R$ 1.730.000,00 e o outro em R$ 970.000,00.