Valor econômico, v. 18, n. 4383, 17/11/2017. Política, p. A6.
Com aval do PP, pemedebista pode assumir secretaria do Governo
Andrea Jubé e Cristiane Bonfanti
17/11/2017
O esboço da reforma ministerial contempla o retorno do PMDB ao comando da Secretaria de Governo e do PP ao Ministério das Cidades. De olho na reforma da Previdência, o presidente Michel Temer pretende concluir as conversas com os presidentes de partidos até domingo e pode anunciar os novos nomes na próxima semana. Ele quer se antecipar à devolução dos cargos pelos tucanos, que desembarcam do governo no início de dezembro.
O ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, de mudança para o DEM, permanece na pasta para conduzir até o fim a privatização da Eletrobrás. E o ministro das Relações Exteriores, o senador licenciado Aloysio Nunes (SP), do PSDB, fica na cota pessoal de Temer. Ele ainda cogita não concorrer a novo mandato em 2018.
Cedendo à pressão do Centrão (PP, PSD, PR, PTB), Temer substituirá o tucano Antônio Imbassahy na Secretaria de Governo, responsável pela articulação política. A escolha, entretanto, depende do aval do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a quem compete colocar a reforma da Previdência em pauta.
Ontem começou a circular o nome do presidente do Conselho Nacional do Sesi e ex-ministro dos Transportes João Henrique de Almeida Sousa para o lugar do tucano. Também ontem à tarde, Temer chamou Rodrigo Maia ao Planalto para conversar sobre a reforma ministerial.
De estilo discreto, João Henrique integra a cúpula do PMDB: é amigo de Temer há mais de 20 anos e próximo dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência). Ele se reuniu com Temer no gabinete presidencial na segunda-feira, mas seu nome não entrou na agenda oficial.
Uma fonte do governo o define como um "secretário-executivo" do PMDB, um bom gestor, de confiança e com "empatia" para o trato político. Ex-deputado pelo Piauí, ele foi escolhido para suceder a Eliseu Padilha no Ministério dos Transportes em 2002, no último ano da gestão Fernando Henrique Cardoso, a fim de manter a pasta na cota do PMDB.
João Henrique também foi presidente dos Correios quando outro cacique do PMDB, Eunício Oliveira (CE), era ministro das Comunicações no governo Lula. Por causa da gestão nos Correios, chegou a ser investigado pelo Ministério Público no âmbito do escândalo do mensalão.
Um auxiliar presidencial admite que Temer não gostou do gesto do ex-ministro das Cidades Bruno Araújo (PSDB), que apresentou sua carta de demissão na última segunda-feira, antecipando-se ao seu afastamento que já era iminente. Por isso, o presidente está decidido a não esperar o anúncio oficial da devolução dos cargos dos tucanos, previsto para 9 de dezembro, data da convenção nacional da sigla.
As mudanças no primeiro escalão miram a recomposição da base aliada e a negociação de votos pela aprovação da reforma da Previdência Social. A garantia de apoio das bancadas é a contrapartida exigida por Temer para os ajustes no primeiro escalão.
Os aliados advertiram, entretanto, que querem a "ajuda" do governo para votarem favoravelmente às modificações, na tentativa de se blindarem de revezes nas urnas em troca do apoio ao governo.