O globo, n.30749 , 14/10/2017. PAÍS, p.5

FUNARO: CUNHA ATUAVA COMO ‘BANCO DA CORRUPÇÃO’ DO PMDB

JAILTON DE CARVALHO

 

 

Doleiro reforça denúncia contra Temer e aliados durante interrogatório

 

O doleiro Lúcio Funaro confirmou, em vídeo feito para o acordo de delação premiada, que parte da propina que recebia do empresário Joesley Batista era repassada a políticos ligados ao ex-deputado Eduardo Cunha, preso em Curitiba, entre eles o presidente Michel Temer. A citação a Temer aparece no trecho em que Funaro fala de desvios no Fundo de Investimentos do FGTS. O doleiro Lúcio Bolonha Funaro disse, depois de fazer acordo de delação premiada, que parte da propina que recebia da de Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, era repassada para várias políticos vinculados ao ex-deputado Eduardo Cunha, entre eles o presidente Michel Temer. A afirmação consta de um vídeo divulgado ontem pela “Folha de S.Paulo”. O conteúdo das declarações foi confirmado ao GLOBO por uma fonte vinculada ao caso.

Funaro mencionou Temer ao falar sobre desvios do Fundo de Investimentos do FGTS destinados a projeto de interesse da Eldorado Celulose, uma das empresas do grupo J&F. As delações de Funaro e Joesley Batista são os pilares da denúncia em que a Procuradoria-Geral da República acusa Temer de integrar organização criminosa e de obstrução de justiça.

Em um depoimento, em 23 de agosto, Funaro disse que recebeu várias remessas de dinheiro de Joesley. As transações eram intermediadas por um doleiro identificado como Tony. Uma vez com os recursos em mãos, ele repassava a propina para Cunha.

Chegando a minha mão (a propina de Joelsey) eu distribuía para quem eu tinha que pagar que, neste caso, era o Eduardo Cunha, que fazia o repasse para quem de direito no PMDB, que eram as mesmas pessoas que apoiavam ele no PMDB  afirma Funaro.

Uma procuradora, à frente do interrogatório, pergunta, então, “quem eram” os destinatários do dinheiro. Funaro responde:

Henrique Alves, Michel Temer. Todas essas pessoas. A bancada que a gente chamava “a bancada do Eduardo Cunha”.

Num outro momento, Funaro explica que Cunha atuava como “um banco da corrupção”. Ele recebia dinheiro de empresários e repassava a deputados, controlando a atuação deles.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) disse que as acusações de Funaro são extremamente graves e devem ser devidamente esclarecidas. Para ele, Funaro e Joesley Batista devem apontar quem são os deputados da bancada do Cunha.