Título: Quem perde é a sociedade
Autor: Tahan, Lilian
Fonte: Correio Braziliense, 04/04/2012, Cidades, p. 2

Ao vincular a análise do caso de Benedito Domingos — que responde por formação de quadrilha, fraude em licitação e corrupção passiva — à decisão transitada em julgado na Justiça, a Comissão de Ética da Câmara Legislativa eleva o corporativismo acima das razões que justificam a existência desse órgão, que deveria zelar pela defesa dos bons costumes parlamentares.

Os tribunais olharão o caso de Benedito sob o aspecto judicial. No entanto, a partir dos indícios de crime encontrados pelo Ministério Público, é papel da Câmara fazer um exame sobre as condições do deputado em permanecer na atividade de legislador, como legítimo representante do povo. O tempo da Justiça é um. O da política é diferente.

Condicionar um julgamento ao outro significa, praticamente, livrar Benedito Domingos de punição política — mesmo que o parlamentar tenha quebrado o decoro. Um desfecho na Justiça para a situação de Benedito levará anos, provavelmente mais do que o período restante do mandato do distrital.

Como um eixo norteador de várias decisões tomadas na Câmara Legislativa, a falta de disposição para investigar um colega (não necessariamente condená-lo) favorece o grupo. Não o de cidadãos, e sim o grupo formado pelos próprios distritais, pois amanhã ou depois quem tomou a iniciativa de postergar a investigação contra Benedito pode precisar do mesmo favor. Mais uma vez, perde a imagem da Câmara, sobretudo a sociedade. (LT)

-------------------------------------------------------------------------------- adicionada no sistema em: 04/04/2012 03:00