Valor econômico, v. 18, n. 4413, 03/01/2017. Política, p. A5.

 

 

Temer desiste de nomear petebista para o Ministério do Trabalho

Raphael Di Cunto

03/01/2017

 

 

Após veto do ex-presidente José Sarney (MDB), o presidente Michel Temer desistiu de nomear o deputado federal Pedro Fernandes (PTB-MA) para o Ministério do Trabalho e abriu uma crise com o PTB, um dos partidos mais fiéis da base aliada. A pasta deve ficar interinamente com o secretário-executivo Helton Yomura até a escolha de um novo nome.

O cargo está vago desde sexta-feira, quando o governo oficializou a demissão de Ronaldo Nogueira (PTB-RS), que reassumirá o mandato de deputado federal para tentar a reeleição em outubro. O petebista ficou desgastado após a edição de polêmica portaria que redefinia o que é trabalho escravo, alterada em seu último dia de trabalho, e pediu na semana passada para deixar o cargo.

Fernandes, que não concorrerá à reeleição, foi convidado para comandar o ministério na mesma reunião em que Nogueira pediu demissão a Temer e chegou a anunciar que sua posse seria amanhã. Ontem, contudo, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirmou que a nomeação "subiu no muro" por causa da oposição de Sarney e que o secretário-executivo ficará "por algum tempo" no comando.

O deputado federal foi secretário de duas Pastas no governo de Roseana Sarney (MDB), filha do ex-presidente, mas rompeu com o grupo e se aliou ao atual governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), após a derrota do clã em 2014. Sarney, que mantém influência no governo Temer, negou que tenha vetado o ex-aliado em entrevista ao colunista da Globonews, Gerson Camarotti.

Segundo Roberto Jefferson, o PTB vai esperar "decantar" essa decisão do governo antes de procurar um novo nome para não ofender Fernandes, que está em seu último mandato como deputado federal e não concorrerá à reeleição - o que seria um dos critérios para ocupar o ministério, já que aqueles que desejam ser candidatos em outubro precisam deixar o cargo até o começo de abril. "O Palácio nos pediu um novo nome", disse o petebista.

Um dos cotados é o deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS), que também não deve ser candidato à reeleição. Ele já causou polêmica quando, ao defender um colega que respondia a processo no Conselho de Ética, respondeu que estava "se lixando para a opinião pública". Recentemente ele voltou ao conselho, por indicação do PTB, para tentar evitar a cassação do mandato do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), hoje preso.

O presidente do PTB afirmou que a retirada do convite ao correligionário "é uma coisa chata" e que "gera frustração" no partido, mas que tentará contornar com " mínimo de sequelas".

Já o líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes (GO), disse que ainda não tinha informações sobre o veto - o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha (MDB), teria garantido que isso não existia -, mas criticou a possibilidade de interferência nas indicações de um aliado. "Se o PMDB tiver vetado, é um absurdo até porque já tive muita vontade de vetar um punhado de nome do PMDB e não fiz por questão ética, de respeito", afirmou.