Correio braziliense, n. 20004, 26/02/2018. Cidades, p. 18

 

PPS aposta em Valmir Campelo

Otávio Augusto

26/02/2018

 

 

ELEIÇÕES 2018 » Integrantes do diretório regional devem lançar o ex-ministro do TCU como candidato a governador, vice-governador ou senador. O último pleito disputado por ele foi o de 1994, quando perdeu para o então petista Cristovam Buarque

A corrida eleitoral para ocupar o Palácio do Buriti ganhou mais um integrante no fim de semana. O nome do ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), ex-senador e ex-deputado federal Valmir Campelo foi ventilado em reunião da cúpula do Partido Popular Socialista (PPS), sábado. A sigla não fechou posição, mas ele é cotado para concorrer ao cargo de governador, vice-governador ou senador. Agora, com Campelo, ao menos oito políticos sonham em ser chefe do Executivo local.

O possível retorno de Valmir Campelo às urnas ocorre 24 anos após ele perder a última eleição que disputou, quando concorreu ao governo do DF contra o então petista Cristovam Buarque, em 1994. À época, Campelo tinha o apoio do grupo político de Joaquim Roriz. Hoje, Valmir e Cristovam são correligionários. O PPS defende uma candidatura ao Palácio do Buriti e até cogitou lançar o senador Cristovam Buarque, mas o nome do parlamentar é cotado para a disputa à presidência da República.

Para interlocutores do partido, a distância de mais de duas décadas das urnas não é um empecilho à campanha de Valmir. Ao contrário, pode até ajudar. Os mais otimistas acreditam que ele pode se tornar sinônimo de “renovação” da política local. O ex-ministro deixou o TCU em 2014, após 18 anos de trabalho. O grupo político de Valmir conta ainda com os deputados distritais Celina Leão e Raimundo Ribeiro, ambos do PPS.

Campelo acertou filiação ao PPS em maio do ano passado, com o desejo de disputar um cargo majoritário nas eleições de 2018. “Ele é uma pessoa decente e que tem um excelente currículo na cidade. Queremos que o DF entenda que esse nome é íntegro, limpo e correto. Ele nunca esteve envolvido em casos de corrupção”, destaca o presidente regional do PPS, Chico Andrade.

Em entrevista concedida em maio ao CB.Poder — programa realizado pelo Correio Braziliense e pela TV Brasília — Valmir Campelo disse querer ajudar a capital federal “com a sua experiência”. “Estou na cidade há 55 anos e sempre desempenhei um trabalho muito sério. Pautei a minha atuação no TCU na ética e na moralidade, como vinha fazendo em outras funções públicas”, argumentou.

Apesar da rivalidade na eleição de 1994, Campelo garante não haver rusgas entre ele e Cristovam Buarque. Na campanha de 1994, o ex-governador Joaquim Roriz subiu no palanque de Campelo para pedir votos. Cristovam e Roriz representavam o racha da política local à época, polarizada entre PT e o antigo PMDB, “vermelhos” e “azuis”. “Nem na campanha fomos inimigos”, destacou Campelo, na entrevista ao CB.Poder.

Disputa indefinida

A eleição de 7 de outubro próximo promete ser uma das disputas mais emboladas da história  do DF. Ao meno oito políticos disputam (ou tentam) a cadeira de governador: o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT), o ex-secretário de Saúde Jofran Frejat (PR), os deputados federais Izalci Lucas (PSDB) e Alberto Fraga (DEM), Alírio Neto (PTB), o herdeiro do grupo Giraffas Alexandre Guerra (Novo) e o general Paulo Chagas (PRP). O único nome certo na disputa é o do governador Rodrigo Rollemberg (PSB).

Na edição de ontem, o Correio mostrou que o grande número de candidaturas pode levar o pleito para o segundo turno. Com apenas dois candidatos, a corrida eleitoral ganha novos contornos com alianças e reconfigurações políticas diferentes. Outra novidade a ser enfrentada pelos concorrentes é o curto tempo de TV (45 minutos) e pouco dinheiro, pela proibição de doações de empresas.

8 meses

Tempo que falta para a disputa do primeiro turno das eleições, em 7 de outubro