Valor econômico, v. 18, n. 4425, 19/01/2018. Política, p. A10.

 

 

Serra decide não disputar eleição

Fernando Taquari e André Guilhermer Vieira

19/01/2018

 

 

O senador José Serra (PSDB-SP) decidiu que não será candidato na eleição de 2018. A informação foi confirmada ontem pela assessoria de imprensa do tucano, que era cotado para concorrer ao governo de São Paulo e até à Presidência da República.

Serra governou São Paulo entre 2007 e 2010 e foi candidato a presidente duas vezes. Ele demonstrava disposição em concorrer novamente ao Palácio dos Bandeirantes.

Há duas semanas, conversou com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB). Serra pediu que Alckmin atuasse politicamente para frear as articulações do prefeito de São Paulo, João Doria, no sentido de ser o candidato do partido ao governo estadual. Em troca, dispôs-se a agir para convencer o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, a desistir de desafiar a pré-candidatura de Alckmin à Presidência dentro do PSDB.

Mas o senador abriu mão de concorrer após a família pedir, nos últimos dias, que ele não fosse candidato neste ano.

Eleito em 2014, Serra ainda tem mandato até 2022. No Senado, deve dedicar-se a negociar uma proposta de reforma política. Nos últimos meses, em palestras e eventos, o tucano tem defendido a necessidade de o país implementar o parlamentarismo, bandeira histórica do PSDB.

Tucanos enxergam na desistência do senador em participar da eleição uma tentativa de preservar sua imagem em meio às investigações contra ele no âmbito da Operação Lava-Jato. Citado pelos delatores da Odebrecht, Serra nega qualquer irregularidade.

A saída do senador do páreo favorece o cientista político Luiz Felipe d'Ávila e o secretário de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, que são por ora os pré-candidatos oficiais do partido.

O maior beneficiado, porém, tende a ser João Doria, que tem sido cortejado por tucanos que entendem que ele é o nome com mais densidade eleitoral no PSDB para fazer a defesa do legado do partido no Estado, iniciado com a gestão de Mário Covas, em 1995. O ex-senador José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela e suplente de Serra, deve procurar o senador na segunda-feira, numa tentativa de reunir condições políticas de entrar na disputa.

Com um discurso político e em meio a um clima de campanha, o prefeito lançou ontem o primeiro programa de Parceria Público-Privada de Habitação do município. Com um investimento de R$ 7 bilhões, a iniciativa prevê a construção de 34 mil novas moradias em seis anos.

Em um auditório lotado em sua grande maioria por militantes do presidente da Câmara Municipal, vereador Milton Leite (DEM), Doria disse que o programa vai criar 100 mil novos postos de trabalho. "É disso que o Brasil precisa: emprego e renda", declarou o prefeito, que ressaltou antes que todos os imóveis para habitação serão entregues com geladeira e fogão. "Aqui não tem conversa fiada, promete e não faz. Aqui não tem assistencialismo. Aqui tem verdade", disse Doria.