O Estado de São Paulo, n. 45356, 22/12/2017. Política, p. A6.

 

Moro cobra de Segovia empenho da PF

Fausto Macedo / Luiz Vassallo

22/12/2017

 

 

Juiz da Lava Jato em Curitiba recebe visita de diretor-geral da Polícia Federal e diz que ‘investigações importantes precisam ser finalizadas’

 

 

O juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, disse ontem ao diretor-geral da Polícia Federal, delegado Fernando Segovia, que há “investigações importantes que precisam ser finalizadas”. Moro recebeu Segovia em seu gabinete, na Justiça Federal de Curitiba, base e origem da Lava Jato.

O diretor-geral da PF disse a Moro que sua intenção é fortalecer o combate à corrupção e ampliar a equipe de policiais na missão contra o crime organizado. Segovia chegou a Curitiba na manhã de ontem para participar da posse do novo superintendente da Polícia Federal no Paraná, delegado Maurício Valeixo, que tomou posse em substituição a Rosalvo Franco.

O diretor da PF e Moro tiveram uma conversa cordial e breve. O magistrado aproveitou para elogiar o trabalho da corporação. Ao fazer uma ressalva sobre as “investigações importantes” que precisam ser concluídas, Moro afirmou também que a equipe de policiais em Curitiba precisa ser significativamente ampliada.

A Lava Jato está na sua fase de número 47. Com base nas investigações da PF e nas denúncias da Procuradoria da República no Paraná, o juiz titular da 13.ª Vara Federal Criminal de Curitiba, Moro aplicou 129 condenações que somam mais de mil anos de pena a políticos, doleiros e empreiteiros.

Ainda há procedimentos em curso, inclusive sobre contratos e propinas no âmbito do esquema de cartel e propinas na Petrobrás no período entre 2004 e 2015 – o ex-presidente da estatal petrolífera Aldemir Bendine e ex-diretores de áreas estratégicas foram presos.

Segovia, por sua vez, afirmou ao juiz da Lava Jato que planeja fortalecer as ações contra malfeitos e desvios de recursos públicos. Também está decidido a ampliar os quadros do setor que combate a corrupção e o crime organizado.

Maurício Valeixo, que tomou posse ontem, já tinha atuado no cargo de superintendente regional da Polícia Federal no Paraná entre 2009 e 2011.

 

Desmembrada. Em julho, antes de Segovia assumir o comando da corporação – em substituição a Leandro Daiello –, a força-tarefa da Lava Jato na Polícia Federal do Paraná foi oficialmente desmembrada.

Na época, a Superintendência Regional da PF divulgou uma nota informando que os delegados que se dedicavam exclusivamente aos trabalhos da Lava Jato e da Operação Carne Fraca passariam a atuar também em outros casos na Delegacia de Combate à Corrupção e Desvio de Verbas Públicas.

Embora a Polícia Federal tenha garantido que a medida não iria acabar com as apurações da Lava Jato e tinha por objetivo “priorizar ainda mais as investigações de maior potencial de dano ao erário”, a decisão gerou críticas reservadas de delegados e de representantes do Ministério Público Federal.

Na ocasião, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa em Curitiba, tratou a medida como o “fim” da equipe na PF. “A força-tarefa da Polícia Federal na Operação Lava Jato deixou de existir.”

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Lula vai a galpão com 'tralhas da presidência'

Luiz Vassallo/ Marianna Holanda

22/12/2017

 

 

Quase Natal / Presentes, que chegaram a ser apreendidos, estão no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

 

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve ontem no galpão onde estão armazenados os milhares de bens doados a ele na época em que ocupava a Presidência da República. Os presentes estão no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), berço da trajetória política de Lula.

Chamados de “tralhas” pelo ex-presidente, os itens chegaram a ser armazenados pela empresa Granero – o contrato é alvo da Lava Jato sob a acusação de que foi custeado pela OAS como forma de suposta propina; a defesa do petista nega.

O momento foi registrado em uma postagem na página do Facebook do ex-presidente. “Se juntar todos os presentes recebidos por JK, Getúlio, Collor e FHC... Se juntar todo mundo, não vão superar o tanto de lembranças que recebi em oito anos”, escreveu Lula, sobre seu acervo de aproximadamente 9 mil itens. O ex-presidente visitou seus bens acompanhado do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e de um escrevente do 4.º Tabelião de Notas de São Bernardo.

Os bens chegaram a ser apreendidos na Operação Alethea, em março de 2016, que conduziu Lula coercitivamente. Dos 9 mil itens, segundo a contagem do ex-presidente, 21 foram confiscados pela Secretaria da Presidência: espadas, coroa, moedas antigas, entre outros presentes, atendendo a uma decisão do juiz da Lava Jato, Sérgio Moro.

Em primeira instância, Moro absolveu Lula e Okamotto das acusações do Ministério Público Federal sobre o armazenamento dos objetos.

 

Triplex. Na mesma sentença, Moro condenou Lula pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro de R$ 2,25 milhões por supostamente aceitar para si o triplex no Condomínio Solaris, no Guarujá (SP), e suas respectivas reformas bancadas pela construtora como forma de propinas oriundas de contratos da Petrobrás.

O juiz federal ainda afirmou reconhecer a “importância cultural da preservação do acervo presidencial”.

A Procuradoria da República da 4.ª Região afirmou concordar com a sentença de Moro em análise de recurso da força-tarefa que pedia a condenação do petista pelo contrato entre Granero e OAS.