Título: Pressão do PMDB
Autor: Correia, Karla
Fonte: Correio Braziliense, 08/03/2012, Política, p. 6

O rosário de insatisfações do PMDB com a falta de espaço da legenda no governo federal dominou ontem a reunião da bancada convocada para tratar da posição do partido sobre o novo Código Florestal, que deve ser votado na próxima semana. A sigla, que tem usado a votação para pressionar o Palácio do Planalto, foi a principal responsável pela derrota sofrida pelo governo no ano passado, na primeira votação do código na Câmara.

O PMDB se queixa do avanço do PT sobre postos do governo federal antes ocupados pela legenda e da ação do governo favorecendo a expansão petista nas prefeituras, nas eleições municipais deste ano. Maior símbolo — até agora — da desavença com o Planalto, o manifesto assinado por 53 dos 76 deputados da sigla aponta justamente a tentativa de fortalecimento do PT nos municípios, com a ajuda do governo, como principal fator de atrito com a presidente Dilma Rousseff.

A ameaça, agora, é barrar a votação em plenário ou voltar a atropelar o governo na aprovação do projeto, jogando para a presidente Dilma Rousseff a responsabilidade do veto, nos casos em que o Planalto não conseguir fazer valer sua vontade no plenário.

A adesão em peso às propostas defendidas pelo governo é a promessa do líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). A bancada, entretanto, tem incluído o líder no rol de reclamações. Critica o foco dado por Henrique à disputa pela presidência da Câmara, no próximo ano, e afirma que a eleição tem se sobreposto a qualquer interesse do partido.

Pertencente à cota do PMDB na Esplanada, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, foi o emissário do governo na reunião da bancada. Defendeu a união da legenda na aprovação do projeto e reforçou que boa parte das propostas contidas no novo código estão de acordo com o que o partido defende. Também peemedebista, o relator do projeto na Câmara, Paulo Piau (PR), reconhece, contudo, que a bancada está longe de um consenso. (KC)