Título: CNI pede mais cortes
Autor: Martins, Victor ; Cristino, Vânia
Fonte: Correio Braziliense, 08/03/2012, Economia, p. 11

Empresários e trabalhadores aprovaram a redução da taxa Selic anunciada pelo Banco Central, mas criticaram a demora na tomada da decisão e defenderam a necessidade de um corte maior. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que há necessidade imediata de novas reduções. "A inflação está em desaceleração e a indústria precisa de ações urgentes para recuperar o ritmo da atividade. Uma queda mais incisiva dos juros também contribuirá para amenizar as pressões sobre a moeda brasileira, valorizada pela maciça entrada de capitais de curto prazo no País", afirmou a entidade em nota.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou que a medida "é bem-vinda, mas chega atrasada e é insuficiente para impulsionar a economia do país". Para a entidade empresarial, "a redução dos juros e a adoção de medidas setoriais isoladas são inócuas para devolver a competitividade ao Brasil".

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) avaliou como positiva a trajetória de queda da Selic, mas também criticou a falta de ousadia do governo para promover cortes mais profundos e acelerar a retomada da economia. "O Brasil continua com uma das maiores taxas de juros do mundo, o que impacta também na nossa dívida pública. É fundamental também pressionar os bancos por juros menores, incentivando as áreas produtivas e a criação de emprego", afirmou Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), também disse que a redução "é tímida e insuficiente para aquecer o consumo, gerar empregos e melhorar o Produto Interno Bruto. Um pouco mais de ousadia traria enormes benefícios para o setor produtivo, que gera emprego e renda e anseia há tempos por um crescimento expressivo da economia. É um absurdo esta mesmice conformista dos tecnocratas do Banco Central.