Correio braziliense, n. 19977, 02/02/2018. Política, p. 5

 

Padilha admite Temer candidato

 

Rosana Hessel 

02/02/2018

 

 

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o presidente Michel Temer está em busca de um candidato à presidência que tenha apoio de toda a base política do governo, que dê continuidade à agenda de reformas e que esteja comprometido com o processo de recuperação econômica e de retomada da confiança dos investidores. Padilha não descartou a candidatura do próprio chefe do Executivo.

“A intenção do presidente é que a base de sustentação do governo tenha um candidato só, escolhido e apoiado por todos, que possa defender o grande legado que o governo deixa em várias áreas, e a garantir a continuidade dos programas em curso”, afirmou Padilha. As declarações foram dadas durante a apresentação do balanço das políticas de governo em reforma agrária, regularização fundiária e agricultura familiar, que mostram dados melhores, segundo ele, que os obtidos no governo de Luiz Inácio Lula da Silva e no de Dilma Rousseff.

“Hoje, os pré-candidatos da base do governo são o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) e o Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados. DEM-RJ)”, afirmou Padilha, sem descartar uma possível candidatura do presidente Temer, quando questionado sobre o assunto. “Estamos esperando”, disse. Em relação à possibilidade de o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) ser uma alternativa caso Meirelles e Maia não decolem, ele rapidamente respondeu: “Muita calma. Temos que esperar. O tempo vai dizer quais serão as candidaturas. Vamos ver na base do governo tentar trazer (alguém) melhor nas pesquisas.”

Enquanto aumentam as chances de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser impedido de se candidatar devido à Lei da Ficha Limpa, Temer aproveita para surfar sobre os bons números da economia. Ontem, durante evento promovido pela Caixa, o presidente manteve o discurso otimista e ainda deu uma alfinetada na oposição. Ele disse que, quem se opuser ao governo precisará ser contra à melhora dos indicadores recentes e à criação de emprego.

“Quem quiser opor-se ao nosso governo terá que dizer que: eu sou contra esses ridículos 2,95% de inflação, eu quero uma inflação de 10,28%, 11%”, disse, pouco depois da divulgação do crescimento de 2,5% na produção industrial, em 2017, após três anos de queda. E continuou: “Haverá de dizer também o seguinte: ‘eu sou contra esses juros mínimos aí de 7%, com tendência até a diminuir, eu quero aqueles juros de 14,25%”. Para Temer a oposição “também vai ter que dizer que é contra a Bolsa de Valores ter atingido 85 mil pontos” e a favor da “manutenção daqueles 65 mil pontos, portanto, a favor da falta de credibilidade do país.”