Título: Brasil e Índia avançam juntos
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Fonte: Correio Braziliense, 31/03/2012, Economia, p. 14
Brasil e Índia avançam juntos
Nova Délhi —Índia e Brasil assinaram ontem meia dúzia de convênios para promover a cooperação entre os dois países. Os acordos, acertados por ministros e técnicos do governo de ambos os países, facilitarão a cooperação no campo da ciência, da tecnologia, da biotecnologia e da educação. Vão abrir também espaço para o intercâmbio cultural e a promoção da igualdade de gênero e dos direitos da mulher e da infância. Após depositar uma coroa de flores no memorial de Mahatma Ghandhi, a presidente Dilma Rousseff, em visita a Nova Délhi, realizou uma reunião de trabalho com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, para acertar detalhes das relações bilaterais.
Em particular, as parcerias entre Brasil e Índia terão foco no comércio, nos investimentos e no meio ambiente. Como um exemplo do que os dos países devem "seguir e perseguir", Dilma apontou a associação da fabricante aeronáutica Embraer com a Defense Research and Development Organization (DRDO), uma parceria voltada para equipar uma aeronave com sistemas de radar desenvolvidos no país asiático. A presidente disse ainda que a experiência brasileira também pode ser muito útil à Índia no campo do agronegócio, em particular na cadeia de processamento de alimentos, como a conservação.
Encontros Já a Índia tem grande potencial para ajudar o Brasil na área farmacêutica, ramo de atividade no qual os indianos poderiam participar da construção de um sistema de saúde universal de qualidade para os brasileiros. Dilma, que pediu aos empresários brasileiros que encontros entre os dois países se "institucionalizem", também defendeu a criação de empresas conjuntas, tanto no Brasil como na Índia.
O ministro do Comércio e da Indústria da Índia, Anand Sharma, mostrou entusiasmo com aproximação. "Temos sido o motor da economia mundial e hoje sinto que chegou a hora: este é o nosso século", afirmou. A economia indiana traz, de acordo com os especialistas, características muito semelhantes ao Brasil. Com uma população seis vezes maior — são 1,2 bilhão de habitantes — e taxas de crescimento elevadas, o país asiático representa boas oportunidades de negócios para as empresas brasileiras. A meta, contudo, é diversificar a pauta comercial, ainda focada em commodities (produtos básicos com cotação internacional).
Parceria no Rafale O governo indiano quer transferir tecnologia para o Brasil se o país optar pela compra dos caças Rafale, da França, de quem é parceiro. A proposta foi apresentada ontem à presidente Dilma Rousseff, que não se manifestou sobre o tema. "Não se falou do Rafale", assegurou um interlocutor da equipe presidencial, que também disse não haver pressa sobre uma definição. "A decisão brasileira não será tomada antes de maio", ou seja, só ocorrerá após o segundo turno das eleições presidenciais francesas. O Brasil deve definir neste ano uma licitação para a compra de 36 aviões caças no valor de US$ 5 bilhões.