Correio braziliense, n. 20023, 17/03/2018. Política, p. 4
Em quatro anos, 237 punidos
Renato Souza
17/03/2018
A Lava-Jato completa hoje quatro anos de atividade. Os números revelam que é a maior operação de combate à corrupção da história. Desde 17 de março de 2014, 237 pessoas já foram condenadas em primeira ou segunda instância e 187 acordos de delação premiada firmados com o Ministério Público fizeram com que os envolvidos se comprometessem a devolver R$ 12 bilhões aos cofres públicos. Deste valor, R$ 1,9 bilhão já foi ressarcido.
A Lava-Jato começou em 2009, investigando o uso de uma rede de postos de combustíveis e serviços de lava a jato para lavar dinheiro. As investigações começaram em Brasília. Mas a primeira operação, que cumpriu mandados de busca e apreensão, ocorreu somente em 2014, em Curitiba, com uma investigação sobre a atuação dos doleiros Nelma Kodama, Raul Srour, Alberto Youssef e Carlos Habib Chater. A operação ficou sob a competência da 13ª Vara Federal Criminal do Paraná devido aos crimes de lavagem de dinheiro cometidos por Youssef, que, de acordo com as investigações, beneficiaram uma empresa com sede em Londrina (PR).
O desdobramento da operação, que hoje está na 49ª fase, apontou a ligação do doleiro Aberto Youssef com o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A partir do envolvimento do dirigente da estatal de petróleo, foi possível desmontar um gigantesco esquema de corrupção que causou um prejuízo bilionário à empresa.
Logo se descobriu a participação de funcionários públicos, políticos e empresários na organização criminosa. Apesar do tempo de duração, somente a fase judicial, se não ocorressem novos desdobramentos, a Lava-Jato ainda se estenderia por pelo menos seis anos.
O procurador da República Bruno Calabrich lembra que, ao longo dos últimos quatro anos, houve muita pressão para tentar parar as investigações. “Se forem somadas as penas de todos os que já foram julgados, temos 2 mil anos em condenações. Essa operação envolveu integrantes da cúpula do Poder Executivo e Legislativo. Forças muito poderosas atuaram e continuam criando pressões contra a operação. É necessário que garanta os trabalhos em todas as regiões onde ocorreram os crimes”, afirma.
No exterior
Integrantes da força-tarefa da operação se reuniram na Procuradoria Regional da República da 4ª Região, em Porto Alegre, para fazer um balanço do trabalho que já foi realizado. No encontro, a opinião unânime é de que as ações devem continuar. A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, destacou que está criando diretrizes e planejamentos para garantir o futuro da Lava-Jato. “Há muito a fazer e estamos redobrando o esforço. Queremos resolutividade e continuidade. A reunião em Porto Alegre visa estreitar estratégias e avaliar o muito que temos a avançar, dimensionar a força de trabalho e os recursos que disponibilizaremos para esta atuação institucional prioritária”, afirmou.
O trabalho de combate à corrupção se ramificou até mesmo para outros países. O mundo passou a olhar para o que está sendo feito no Brasil. Em quatro anos, de acordo com o Ministério Público, foram registrados 395 pedidos de cooperação internacional envolvendo 50 países, sendo 215 ativos, ou seja, feitos pelas autoridades brasileiras para 42 países, e 180 passivos, que foram recebidos de 31 países.
Balanço
» Durante os quatro anos de Operação Lava-Jato, foram celebrados
187 acordos de colaboração com a Justiça
» Desse total, 84% foram firmados com investigados em
liberdade e 16% com presos
» Até agora, 160 pessoas foram condenadas em primeira instância e
77 nos tribunais de segunda instância
» As empresas envolvidas no esquema se comprometeram a devolver
R$ 12 bilhões aos cofres públicos
» Dos acordos firmados, cerca de R$ 1,9 bilhão já foi devolvido ao erário e
R$ 1,3 bilhão recuperado de contas no exterior
» Desde 2014, foram realizados 395 pedidos de cooperação internacional,
que envolvem 50 países
Fachin nega pedidos de Lula
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou os novos pedidos da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feitos na quarta-feira. A defesa queria que, em primeiro lugar, Fachin reconsiderasse a decisão liminar que negou pedido para o petista não ser preso após conclusão do julgamento de recursos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). O ministro também rejeitou o pedido para que colocasse o habeas corpus em mesa, o que faria o plenário analisar a ação sem necessidade de a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, pautar. Na decisão, Fachin explica que não seria adequado fazer esse movimento porque pendem de julgamento as ações que discutem a prisão após condenação em segunda instância.