Título: Golpe expõe falha na segurança da Câmara
Autor: Decat, Decat
Fonte: Correio Braziliense, 24/02/2012, Politica, p. 4

Apesar de contar com um contingente de cerca de 200 agentes da polícia legislativa e distribuição de dezenas de câmeras de segurança — ligadas 24 horas —, a Câmara não conseguiu conter a atuação de integrantes de uma suposta quadrilha de estelionatários que vinham agindo livremente nos corredores da Casa. Os golpistas furaram o bloqueio de segurança e conseguiram coletar informações de clientes dos terminais de autoatendimento de bancos. De acordo com servidores ouvidos pelo Correio, pelo menos uma pessoa foi lesada com o esquema.

O alvo da ação foram os terminais da Caixa Econômica Federal (CEF) instalados no corredor das Comissões Temáticas, no Anexo II da Câmara. As máquinas são utilizadas por centenas de pessoas, entre servidores, visitantes e até parlamentares. A ação dos golpistas chama a atenção principalmente porque, nos locais destinados aos pontos de atendimento dos bancos na Casa, normalmente, são disponibilizadas duas câmeras de vigilância.

Os golpistas, no entanto, conseguiram furar o bloqueio de segurança e instalar nos terminais um sistema conhecido como "chupa-cabra". O mecanismo é acionado quando o cliente insere o cartão de crédito na máquina. Nos momentos seguintes, os dados são capturados e armazenados. O sistema também conta com uma microcâmera colocada nas laterais dos terminais que registra o momento em que a pessoa digita as senhas. Segundo servidores da Câmara, os golpistas passavam no fim do dia ou no início da manhã nos terminais para resgatar as informações. De posse dos dados, clonavam o cartão de crédito do cliente.

O golpe foi identificado inicialmente por funcionários da Caixa Econômica, que acionaram o Departamento de Polícia da Câmara (Depol), dia 13. Na mesma data, foi aberta uma ocorrência policial interna para apurar o esquema. Durante os cinco dias posteriores, uma "campana" com agentes disfarçados e monitoramento por meio do sistema de câmera tentou flagrar os criminosos. As imagens registraram dois homens — com idade entre 20 e 30 anos — agindo de forma suspeita nos terminais. Apesar da identificação dos possíveis golpistas, os agentes da Câmara não conseguiram pegá-los em flagrante. Caso sejam detidos, os infratores podem ser enquadrados por crime de fraude e estelionato.

Alvo recorrente Em comunicado encaminhado na manhã de ontem aos servidores da Câmara, o Depol tornou público o episódio que, atualmente, faz parte de um inquérito. "O Depol informa que os suspeitos do golpe foram identificados e a Coordenação de Polícia Judiciária continua com as apurações a fim de produzir provas que levem ao indiciamento dos autores. O departamento ressalta a importância do controle de acesso da Casa para a elucidação do crime, e aproveita a oportunidade para agradecer a colaboração de todos no uso da identificação funcional", diz trecho do comunicado.

Essa não é a primeira vez que a Câmara se torna alvo de golpistas com foco nos terminais dos bancos. No primeiro semestre do ano passado, o episódio se repetiu pelo menos três vezes. No mês de março, um homem foi flagrado após retirar um aparelho "chupa-cabra" de uma das máquinas, no interior da Casa. Com ele, estavam dois comparsas que foram detidos pela polícia legislativa. Na ocasião, nenhum cliente foi lesado.

Memória Assalto a lanchonete

A ação de golpistas nos terminais dos bancos da Câmara ocorreu um mês depois de uma das lanchonetes da Casa ser assaltada. O montante roubado chegou a R$ 12 mil em moedas. O roubo ocorreu na madrugada de 13 de janeiro. Os funcionários encontraram o armário arrombado e uma janela aberta por onde os ladrões teriam entrado. O roubo aconteceu no Anexo III, onde também ficam localizados parte dos gabinetes dos deputados. Diante da "fragilidade" e "vulnerabilidade" da área de segurança, a Câmara, conforme adiantou o Correio, iniciou o processo de contratação de mais 169 vigilantes. Atualmente, a Casa conta com um contigente de 79 vigilantes e cerca de 200 agentes da Polícia Legislativa. Do total de novos funcionários que serão contratados, 62 terão o direito de portar revolver calibre .38. Além da arma de fogo, faz parte do aparato de segurança o uso de cassetetes e algemas. (ED)