Título: Novo pedido de investigação
Autor: Luiz ,Edson; Gama , Júnia
Fonte: Correio Braziliense, 13/03/2012, Política, p. 6

O líder do PSol, deputado Chico Alencar (RJ), apresentou requerimento ontem na presidência da Câmara para que sejam investigadas as relações do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com congressistas. Ontem à tarde, mais um integrante da organização criminosa foi preso. O "gerente" de operações da quadrilha, Lenine Araújo de Souza, conhecido como Baixinho, apresentou-se à Superintendência da Polícia Federal. Agora, apenas o contador da organização continua foragido.

Segundo informações da PF, Baixinho chegou à sede da PF por volta das 16h30 de ontem. Depois de prestar depoimento ao delegado Matheus Rodrigues, coordenador da Operação Monte Carlo, o suspeito seguiu para o presídio federal da Papuda. A avaliação de investigadores é de que o gerente e o contador seriam peças-chave para identificar a extensão dos negócios de Cachoeira, inclusive suas relações com políticos. "Eram eles dois que organizavam os encontros, a entrada e saída de dinheiro na quadrilha", aponta uma fonte do órgão.

Na Câmara, o pedido de investigação será encaminhado à Corregedoria da Casa, responsável por adotar os procedimentos. "Ao se dizer que é corriqueira a relação da política com a contravenção, nós estamos alimentando tudo isso. Não é aceitável autoridade pública ter bandido de estimação", ressaltou Chico Alencar. A ação do parlamentar ocorre após a divulgação do vídeo feito por Cachoeira em que supostamente oferece R$ 100 mil para o caixa dois do deputado Rubens Otoni (PT-GO).

Paralelamente ao pedido de investigação, o deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) coleta assinaturas para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) cujo objetivo também é o de apurar as atividades de Cachoeira e "uma sofisticada prática de espionagem política". Até o momento, 136 deputados assinaram o requerimento de instalação da CPI, que tem como base matéria do Correio do último dia 7 em que o bicheiro é apontado pelo juiz do caso, Paulo Augusto Moreira Lima, como um "arquivo vivo".

O Ministério Público Federal deverá apresentar na Justiça Federal, até sexta-feira, denúncia contra Cachoeira. Oito pessoas continuam detidas, inclusive o bicheiro, que está no presídio federal de Mossoró (RN). No entanto, a prisão preventiva vence em 29 de março. O MP goiano também entrou no caso. A instituição é presidida pelo procurador Benedito Torres Neto, irmão do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).