Título: Zona do Euro terá recessão
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 24/02/2012, Economia, p. 13

Deterioração econômica faz União Europeia prever contração média de 0,3% nas 17 nações em 2012. Estimativa anterior era de crescimento de 0,5%

A economia da Zona do Euro está caminhando, em 2012, para a sua segunda recessão em apenas três anos, enquanto a União Europeia (UE) ficará estagnada. Em relatório divulgado ontem, a UE estimou que a produção econômica das 17 nações que compartilham o euro terá contração de 0,3% este ano, revertendo a previsão anterior, que apontava crescimento de 0,5% em 2012. Já a UE, composta pelas 27 nações que geram um quinto da produção global, não registrará crescimento este ano, segundo expectativa da Comissão.

O comissário de assuntos econômicos e monetários da União Europeia, Olli Rehn, ressalvou que as recentes análises mostraram que a recessão na Zona do Euro não será drástica. "No geral, evoluções recentes nos dados de pesquisa sugerem que a desaceleração será moderada e temporária, mas a inversão dessa tendência ainda precisa ser confirmada nos próximos meses e depende, essencialmente, que decisões políticas sejam tomadas", ponderou Rehn. "Laços de resposta negativa entre devedores soberanos fracos, mercados financeiros frágeis e uma desaceleração da economia real ainda não parecem ter sido rompidos", considerou o relatório da UE.

A Zona do Euro esteve em recessão pela última vez em 2009, em decorrência da crise global, com a economia se contraindo em 4,3%, na maior retração mundial desde os anos 1930. Uma mistura venenosa de dívida pública elevada, evaporando a confiança dos investidores e das empresas e aumentando o desemprego, interrompeu uma recuperação de dois anos da crise financeira. Apesar dos sinais de estabilização neste ano, analistas esperam que o crescimento retorne apenas em 2013.

A inflação para a Zona do Euro deve ficar, em 2012, mais próxima do que o Banco Central Europeu (BCE) julga ser o nível correto para preços estáveis e uma economia saudável: 2,1%, segundo projeção da União Europeia. A previsão de crescimento da UE para a Zona do Euro é ligeiramente mais otimista do que a do Fundo Monetário Internacional (FMI), que acredita que a produção na região cairá 0,5% este ano. Mas ambos concordam que o bloco só apresentará uma modesta recuperação nos últimos meses de 2012.

Reunião do G-20 No fim de semana, no México, o G-20 discutirá a possibilidade de um aporte dos países emergentes ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Na semana que vem, líderes da UE vão se encontrar em Bruxelas, onde investidores esperam que eles concordem em aumentar o teto dos fundos de resgate da Zona do Euro e preparar o caminho para mais financiamentos do FMI, a fim de salvaguardar as economias endividadas.

A recessão está ampliando a distância entre os Estados saudáveis do norte europeu e os do sul, que são os que mais precisam de crescimento para pagar suas dívidas. O relatório da UE apontou que Alemanha e França, as duas maiores economias da Zona do Euro, devem escapar de uma recessão este ano, crescendo 0,6% e 0,4%, respectivamente, enquanto a Espanha encolherá 1% e a Grécia entrará no quinto ano de contração econômica. Ontem, o parlamento grego aprovou, em meio a protestos em Atenas, o projeto de lei que permitirá a troca de títulos prevista no acordo com os credores.