O globo, n.30781 , 15/11/2017. PAÍS, p.5

DESISTIU - ALBERTASSI NÃO VAI PARA O TCE

JULIANA CASTRO

 

 

Indicação de peemedebista foi alvo de polêmica, após três auditores abrirem mão da vaga

 

Pivô da antecipação da operação da PF, o líder do governo na Alerj, Edson Albertassi (PMDB), desistiu de ser nomeado conselheiro do TCE. Momentos antes, Pezão defendera a indicação dizendo não haver “nada que o desabonasse”. O líder do governo na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Edson Albertassi (PMDB), desistiu ontem da nomeação para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). Em nota, a assessoria do deputado disse que ele encaminhou ofício à Mesa Diretora da Casa abrindo mão da indicação.

“As acusações contra o deputado Edson Albertassi serão contestadas pela sua defesa, que ainda não teve acesso ao inquérito. Com relação à indicação para a função de conselheiro do Tribunal de Contas, declaramos que o deputado enviou hoje (ontem) oficio à Mesa Diretora da Alerj, declinando da indicação e solicitando a devolução da mensagem 38/2017 ao governador. Albertassi confia na Justiça e está à disposição para esclarecer os fatos”, diz a nota divulgada pela assessoria do deputado.

Mais cedo, antes da desistência de Albertassi, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) disse ter indicado o parlamentar para a vaga no TCE-RJ por não ter nada que o desabonasse. O governador ressaltou que Albertassi ainda não foi condenado. Segundo a PF, a indicação do peemedebista para a vaga no TCE-RJ teria antecipado a operação Cadeia Velha.

— Estar investigado não quer dizer que a pessoa está condenada. Vamos ter calma. E dar o direito das pessoas se defenderem. Eu indiquei o Albertassi e não tem nada que o desabonasse. Nada. Então vamos esperar. Investigação não quer dizer que a pessoa está condenada — afirmou o governador do Rio.

A indicação de Albertassi para a vaga de conselheiro do TCE-RJ ficou no centro de uma polêmica, depois que três conselheiros substitutos — os auditores Rodrigo Melo do Nascimento, Marcelo Verdini Maia e Andrea Siqueira Martins — que, inicialmente, integravam uma lista tríplice para a vaga de Jonas Lopes, renunciaram conjuntamente à candidatura.

O procurador-geral do Estado, Leonardo Espíndola, foi demitido por Pezão, na segunda-feira, após se recusar a preparar a defesa do governador em uma ação popular contrária à indicação do peemedebista. Ontem, Pezão afirmou que a decisão de sair ou não do governo caberia ao próprio procurador-geral. A interlocutores, no entanto, Espíndola contou que foi comunicado da exoneração na sexta-feira e não que há nenhuma chance de retornar à função. (Colaborou Simone Cândida)