O Estado de São Paulo, n. 45341, 07/12/2017. Economia, p.B4
Por: Igor Gadelha / Daiene Cardoso
Igor Gadelha
Daiene Cardoso/ BRASÍLIA
Com 76 deputados juntos, PMDB e PTB anunciaram ontem que vão obrigar seus parlamentares a votarem a favor da reforma da Previdência no plenário da Câmara. Nenhum dos dois partidos, contudo, deixou claro que tipo de punição sofrerão os desobedientes. O governo espera que a decisão do PMDB provoque um “efeito manada” e leve outras legendas da base aliada, como PP e PRB, a fecharem questão nos próximos dias.
A executiva nacional do PMDB aprovou a medida por 19 votos a 3, em reunião com a presença dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), que são filiados à legenda. Votaram contra os deputados federais João Arruda (PR) e Mauro Mariane (SC) e o vice-governador de Pernambuco, Raul Henry. O partido tem a maior bancada da Câmara, com 60 deputados.
O fechamento de questão é uma decisão tomada pela maioria da executiva nacional de um partido. Quando isso acontece, parlamentares que votarem de forma diferente ao que determinou a direção da legenda podem ser punidos até mesmo com a expulsão. Há também o fechamento simbólico feito pelas bancadas no Congresso. Nesse caso, porém, não costuma haver punição.
Punição. “É fechamento de questão com punição. O que não fizemos foi dizer que tipo de punição será, para não parecer que é uma ameaça feita aos deputados e deputadas do PMDB”, afirmou o presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR). Segundo ele, caberá à comissão de ética da sigla definir a punição de cada deputado de forma separada. “Não queríamos ameaçar, queríamos uma reflexão dos parlamentares para saberem que essa é uma medida para o Brasil”, acrescentou.
Jucá disse esperar que outros partidos sigam a decisão do PMDB e cobrou apoio do PSDB, sigla que informou que só vai deliberar sobre o assunto na véspera da votação. “O PSDB vai responder pelos seus atos. O PSDB é um partido importante, tem políticos experientes e sabe que seu apoio é importante para essa reforma, que ele também defende. Portanto, a gente espera que PSDB possa dar maciçamente os votos a favor da reforma”, declarou.
Além do PSDB, o governo trabalha para conseguir votos no PR (37 deputados) e PSD (38 deputados), onde há maior resistência. O líder do PR, José Rocha (BA), anunciou, contudo, que a sigla não vai fechar questão. Segundo ele, o partido só tem hoje 20 votos garantidos a favor da reforma. Ele disse que o ex-deputado Valdemar da Costa Neto, que comanda a sigla, prometeu ligar para deputados para convencê-los a votar a favor. No PSD, a conta do partido é que 15 parlamentares vão votar a favor./ COLABOROU FELIPE FRAZÃO
Ação. Jucá não detalhou como desobediente será punido
Ameaça
“É fechamento de questão com punição. O que não fizemos foi dizer que tipo de punição será, para não parecer que é uma ameaça.”
Romero Jucá
PRESIDENTE DO PMDB E SENADOR (RR)