O Estado de São Paulo, n. 45384, 19/01/2018. Política, p. A6.
Serra afirma que não disputará eleição
Alberto Bombig
19/01/2018
O senador José Serra (PSDBSP) decidiu que não disputará as eleições deste ano. Ele era um nome sempre lembrado por seu partido para concorrer ao governo do Estado de São Paulo e até à Presidência da República. “Não vou disputar a eleição para governador nem pretendo concorrer a presidente neste ano. Tenho ainda cinco anos de mandato no Senado, já aprovei projetos de minha iniciativa que mudaram o País, como foi o caso da abertura dos investimentos no pré-sal”, afirmou o tucano.
Com a decisão, a disputa pelo governo do Estado dentro do PSDB deverá ficar restrita ao prefeito João Doria, ao cientista político Luiz Felipe d’Ávila, ao secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo, Floriano Pesaro, e ao ex-senador José Aníbal, atual presidente do Instituto Teotônio Vilela, braço teórico da legenda.
Serra disse que, no Legislativo, tem se dedicado à reforma política “para valer”. “É indispensável para nosso futuro mudar o sistema eleitoral e o sistema político, que encarecem as eleições e comprometem a representatividade democrática. Já aprovei o projeto do distrital misto no Senado. Agora teremos de fazê-lo na Câmara, o que exigirá tempo integral de trabalho”, afirmou o senador.
O tucano vinha sendo pressionado pelo seu grupo e também pelo presidente Michel Temer para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes em outubro ou ainda para se apresentar como uma alternativa na disputa ao Palácio do Planalto.
Reforma política. “A verdade é que estão todos olhando para as eleições deste ano, mas elas serão disputadas com as mesmas regras das últimas eleições. Precisamos nos dedicar também a melhorar as regras futuras do sistema eleitoral. Eu estou me dispondo a enfrentar esse problema agora. Estou com os olhos no futuro da política e do Brasil”, declarou Serra.
A decisão do senador ainda não foi comunicada oficialmente ao governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência da República. “Sou recordista de aprovação de leis entre deputados e senadores. Valorizo muito o meu mandato de senador”, disse Serra.
Citado em delação premiada de ex-executivos da Odebrecht, Serra é investigado na Operação Lava Jato. Ele nega participação em irregularidades.
Futuro
"Estão todos olhando para as eleições deste ano, mas elas serão disputadas com as mesmas regras das últimas eleições. Precisamos nos dedicar a melhorar as regras futuras do sistema eleitoral. Eu estou me dispondo a enfrentar esse problema agora."
José Serra (PSDB-SP)
SENADOR
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Virgílio busca se contrapor a Alckmin em agenda liberal
Adriana Ferraz/ Alberto Bombig
19/018/2018
A posição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) de não realizar em São Paulo um dos cinco debates previstos no processo de prévia interna com o também pré-candidato tucano à Presidência da República, Arthur Virgílio, levou o prefeito de Manaus a anunciar posições firmes sobre assuntos caros aos tucanos e ao mundo político.
Disposto a ir para o “tudo ou nada”, Virgílio adotou uma agenda liberal na economia e nos costumes para se contrapor a Alckmin. O prefeito defende a expulsão dos tucanos que votarem contra a reforma da Previdência e a privatização da Petrobrás. Nos costumes, passou a questionar a disposição de Alckmin de debater, diante de seu eleitorado, temas polêmicos de qualquer campanha presidencial, como legalização do aborto e a descriminalização da maconha.
“Como Alckmin vai responder a essas questões? Vai se posicionar ou ficar em cima do muro? Eu digo: sou a favor da legalização do aborto, da descriminalização da maconha e da união homoafetiva. E também defendo publicamente a privatização da Petrobrás, diferentemente dele. Por isso, quero um debate amplo e aberto para que todos os filiados possam decidir quem deve disputar o Planalto. Alckmin não é um candidato indiscutível”, afirmou.
O paulista é, na visão de Virgílio, a escolha da “mesmice” contra a “ousadia” que representaria o seu nome. “Mas há pessoas no PSDB que preferem perder a ver o eixo do partido se deslocar.” Essa eventual derrota, que seria a quinta consecutiva na busca pelo retorno tucano à Presidência, passa, ainda, segundo o prefeito, pela falta de apoio à reforma da Previdência.
“Não dá para aceitar metade da bancada na Câmara dos Deputados votar contra. Quem tem o comando do partido deve interferir nisso. O PSDB tem como uma de suas bandeiras a reforma da Previdência. Quem está preocupado com voto, com eleição, que saia. Se eu tivesse o comando, expulsaria”, disse Virgílio.
O calendário de debates entre Alckmin e Virgílio ainda não está definido, assim como o formato a ser adotado, se com pergunta, resposta e réplica, por exemplo, ou um modelo mais livre, como quer o prefeito. Também não se sabe ainda quem poderá votar – a legenda tem 800 mil filiados. A única definição, por enquanto, é que a prévia vai ocorrer em 4 de março. Virgílio quer marcar debates extras, mesmo sabendo da ausência do governador. “Ele pode não ir, mas eu vou.”