O globo, n. 30797, 01/12/2017. Economia, p. 4
Polícia Federal vasculha casa de ex-funcionário do TCM
01/12/2017
Assessor, exonerado em agosto, foi citado por delator de empreiteira
A Polícia Federal cumpriu na manhã de ontem mandado de busca e apreensão na casa do ex-assessor do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro (TCM-RJ) Sérgio Tadeu Lopes. Ele foi citado na delação da empreiteira OAS e teve sua exoneração publicada em agosto no Diário Oficial. Lopes era braçodireito do presidente do TCM, Thiers Montebello, e é acusado pela construtora de integrar o esquema de corrupção que levou o ex-secretário de Obras do município Alexandre Pinto à cadeia na Operação Rio 40 Graus.
O nome de Sérgio Tadeu aparece no depoimento do engenheiro Antonio Cid Campelo, representante da OAS no consórcio que venceu um trecho da licitação do BRT Transcarioca. Campelo afirmou à Polícia Federal (PF) que fez entregas de dinheiro a Lopes.
De acordo com Campelo, os repasses ocorreram após ele ser avisado pelo então secretário municipal de Obras, Alexandre Pinto, que seria necessário “um acerto com o TCM", já que a praxe era direcionar ao tribunal 1% do valor dos contratos, denominada “taxa de oxigênio", termo também utilizado pelo ex-secretário de Obras de Sérgio Cabral para definir o pagamento de propina ao esquema do exgovernador, no valor de 1% do contrato das obras.
Na época em que a delação foi divulgada, Lopes afirmou que, das pessoas citadas por Campelo, só conhecia o ex-secretário de Obras do município do Rio.
O suposto esquema de pagamento de propina e ao TCM já foi alvo de relatos em delações premiadas. Em abril, o diretor comercial da União Norte Fluminense Engenharia e Comércio, Marcos Andrade Barbosa Silva, contou aos investigadores que “no âmbito da prefeitura do Rio eram cobrados 4%, sem o valor destinado ao TCM”. O diretor também citou os pagamentos ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e a integrantes do governo de Sérgio Cabral e disse que, com a mudança para o governo de Luiz Fernando Pezão, “sentiu um descontrole maior” em termos da cobrança de propina.
OUTRO RELATO DE PROPINA
A engenheira Luciana Salles Parente trabalhava na Carioca Engenharia, que fez um acordo de leniência — a delação das empresas. Ela também contou que havia solicitação de pagamento de vantagens indevidas por parte do TCM. A cobrança foi de 1% do valor do contrato de R$ 500 milhões da obra do lote 2 do corredor BRT Transcarioca, trecho entre a Penha e o Galeão, realizada pelo consórcio formado pela OAS, Carioca Engenharia e Contern. Ela assegurou que metade da propina, o equivalente a R$ 2 milhões, foi paga, em abril.
Em nota, o TCM informou que o presidente Thiers Montebello embarcou ontem para um evento fora do Rio e que o tribunal vai aguardar o desenrolar das investigações e não tem como se pronunciar porque, até agora, não foram informados sobre nada.
“O senhor Sérgio Tadeu não é mais funcionário do Tribunal de Contas do Município desde 11 de agosto passado, quando, a pedido, foi exonerado do cargo que ocupava há mais de 20 anos nesta Corte de Contas, em virtude de alusão de seu nome em matéria jornalística veiculada pela mídia", diz a nota.
O GLOBO não localizou a defesa de Lopes.