Título: Prova dos 16 erros
Autor: Henrique Braga, Gustavo
Fonte: Correio Braziliense, 28/03/2012, Economia, p. 10
O Ministério Público Federal no Distrito Federal vai apurar 16 irregularidades relacionadas ao concurso do Senado, entre elas, o plágio de questões, conforme mostrou o Correio em reportagem publicada no último dia 16. Será verificado ainda o uso de aparelhos eletrônicos dentro dos locais de prova. Além disso, está em andamento um inquérito para esclarecer a dispensa de licitação na escolha da Fundação Getulio Vargas (FGV) como organizadora, com uma arrecadação estimada em quase R$ 30 milhões, já que o contrato previu como pagamento pelo serviço o direito de a banca embolsar os valores obtidos mediante as taxas de inscrição.
As denúncias listadas pelo MPF abordam também falhas generalizadas no edital, nos gabaritos e até de encerramento da prova antes do horário previsto em alguns locais. A maior parte delas ainda passará por triagem dos procuradores, que têm 30 dias para decidir se abrem um inquérito ou arquivam as representações. Está sob suspeita ainda a inclusão no edital da disciplina competência linguística e discursiva, que foi ministrada pela própria FGV durante um curso de formação para os funcionários do Senado, em 2010. A suspeita é de direcionamento do processo seletivo com objetivo de ajudar funcionários comissionados a se efetivarem como concursados. Procurada, a FGV informou não ter recebido qualquer notificação do MPF, mas disse estar disposta a colaborar se necessário.
Outras quatro denúncias já foram arquivadas. Em uma delas, os candidatos criticaram a ausência de reserva de vagas para portadores de deficiência para o cargo de policial legislativo. Em outra, supostas falhas na divulgação dos locais de prova foram consideradas sem fundamento. Desde o lançamento do edital, em dezembro último, o concurso do Senado se tornou alvo de várias polêmicas. A mais grave foi a expulsão de uma integrante da Comissão Organizadora do processo seletivo: a servidora Lúcia Maria Medeiros de Souza, após ser detectado que ela estava inscrita para concorrer a uma das vagas.
O Senado assegurou, contudo, que Lúcia não teve acesso a nenhum tipo de informação que pudesse comprometer a lisura da seleção e o cronograma do certame foi mantido normalmente. Além disso, as avaliações para os cargos de analista, na especialidade de enfermagem e para as subáreas de análise de sistemas e de análise de suporte de sistemas, serão aplicadas novamente em 15 de abril, após terem sido canceladas devido a irregularidades na distribuição dos cadernos de prova, em 11 de março.
Em nota, o Senado rebateu que a comissão do concurso esteve reunida com a FGV e que todas as explicações foram consideradas satisfatórias, assim como as medidas adotadas para contornar os problemas, preservar a isonomia entre os candidatos e garantir a transparência do concurso público. O Senado informou ainda que todas as ocorrências registradas têm sido apuradas pela FGV e acompanhadas de perto pela comissão do concurso.
Erro de conteúdo Outro problema que causou transtorno aos candidatos foram erros no conteúdo programático para o cargo de consultor. O concurso do Senado tem quatro editais: consultor (nove vagas), analista (133 vagas), técnico (79 vagas) e polícia (25 vagas). Foram mais de 157 mil inscritos, em uma relação de 246 para cada vaga. O salário mais alto, de 23,8 mil, é para consultor. O processo seletivo para esse posto contará, além das provas aplicadas no último dia 11, com provas discursivas a serem realizadas em 29 de abril e análise de currículo.