Título: Espanha sucumbe à recessão
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Fonte: Correio Braziliense, 28/03/2012, Economia, p. 13
Madri — A economia da Espanha continuou em queda no primeiro trimestre de 2012, após uma contração de 0,3% nos últimos três meses de 2011, anunciou ontem Banco Central da Espanha. Dois anos depois de ter superado uma situação parecida, a notícia confirma que o país está em recessão. A contração atual, que havia sido antecipada pelo governo e por analistas, foi provocada sobretudo pela redução do consumo, cujos indicadores recuaram aos níveis de 2010.
"A informação mais recente referente ao início de 2012 confirma a prolongação da dinâmica de contração do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano", divulgou o BC espanhol. Após um fraco crescimento de 0,7% do PIB em 2011, o governo conservador dirigido pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy prevê uma contração de 1,7% em 2012, com dois trimestres consecutivos de queda no início do ano. A entrada de um país em recessão é caracterizada por seis meses consecutivos de crescimento negativo.
Orçamento O BC também confirmou ontem o anúncio feito anteriormente por Rajoy de que, apesar das recentes reformas, entre elas a do mercado de trabalho, o desemprego continuará aumentando em 2012, alcançando 23,4%, após encerrar 2011 em 22,85%. "Pelo conjunto do mercado de trabalho, a intensificação da destruição do emprego observada no quarto trimestre de 2011 tem se prolongado nos últimos meses", afirmou a instituição.
Numa nova tentativa de tranquilizar seus sócios europeus e o mercado financeiro, Rajoy deve apresentar esta semana um orçamento para 2012 com importantes medidas de austeridade. O governo espanhol fixou a difícil meta de reduzir seu deficit público a 5,3% do PIB neste ano, após registrar 8,51% em 2011, e a 3% em 2013, algo que muitos economistas julgam irreal. O descontentamento social cresce ao mesmo ritmo do aumento da dívida do país, que, na quinta-feira, viverá uma nova greve geral, a segunda em menos de dois anos.