O Estado de São Paulo, n. 45385, 20/01/2018. Política, p. A8.
Sem Serra, grupo de Doria já mira em vice
Fábio Leite
208/01/2018
Embora outros três tucanos tenham demonstrado interesse em concorrer ao governo paulista – o cientista político Luiz Felipe d’Ávila, o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro, e o ex-senador José Aníbal –, Serra era visto como o principal obstáculo interno para o grupo de Doria por contar com muitos aliados na máquina partidária. Com o senador fora do páreo, aliados do prefeito querem agora avançar na costura de alianças com outros partidos e conter a articulação feita por Márcio França, que já anunciou o apoio de três legendas – PR, Solidariedade e PROS –, e mira outras siglas do bloco que formou dentro da base de Alckmin na Assembleia Legislativa, como PV, PP e PPS.
Hoje, a aliança em torno de Doria envolve dois nomes que despontam como possível vice na chapa do prefeito: o secretário estadual da Habitação, Rodrigo Garcia (DEM), e o do ex-prefeito da capital e ministro das Comunicações, Gilberto Kassab (PSD). Segundo aliados do prefeito, Kassab leva certo favoritismo por comandar o partido e deter mais tempo de TV, com a quinta maior bancada na Câmara, com 38 deputados. Desta forma, a candidatura a vice na chapa de Doria seria uma contrapartida ao apoio do PSD ao nome de Alckmin à Presidência.
Segundo integrantes do PSD, Kassab já havia se comprometido a apoiar qualquer candidato tucano ao governo mesmo antes da desistência de Serra, seu principal aliado. Além disso, afirmam que o ex-prefeito está empenhado em demover o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, filiado à sigla, da ideia de se candidatar ao Planalto, abrindo caminho para a coligação com Alckmin. Kassab deve se encontrar com o governador e o prefeito na próxima semana em São Paulo para conversar sobre a coligação.
Já a composição com o DEM, aliado de primeira hora do PSDB paulista e que já lançou Rodrigo Garcia pré-candidato ao governo, dependeria da desistência da candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), ao Planalto. Maia tem articulado apoio com outros partidos e disse nesta semana que se sua situação nas pesquisas melhorar – hoje ele tem 1% das intenções de voto –, disputará a Presidência.
Outro nome cotado como possível vice de Doria é o de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Filiado ao MDB, Skaf rejeita a ideia de não disputar o governo do Estado pela terceira vez – concorreu em 2010 e 2014 –, mas poderia compor uma coligação majoritária com o PSDB sendo candidato ao Senado. A senadora Marta Suplicy, contudo, postula a vaga do MDB.
Renúncia. Ao mesmo tempo em que articulam alianças, aliados de Doria afinam o discurso para amenizar, junto ao eleitor, o efeito de uma renúncia precoce – o prefeito prometeu cumprir o mandato até o fim. Por isso, deputados, prefeitos e vereadores tucanos têm feito caravanas até o gabinete de Doria com “apelo” para que ele seja o candidato do partido ao governo e dizendo que à frente do Estado ele poderá fazer mais pela cidade. “Cabe a nós convencer o Doria a ser candidato a governador, em um cenário que não cabe nem prévia”, disse o tucano Orlando Morando, prefeito de São Bernardo do Campo.
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Collor anuncia candidatura à Presidência
Marcelo Osakabe / André Ítalo Rocha
20/01/2018
O senador Fernando Collor de Mello (PTC-AL) anunciou ontem que pretende se candidatar novamente à Presidência da República nas eleições deste ano. “Digo a vocês que esse é um dos momentos mais importantes da minha vida pessoal. Hoje, a minha decisão está tomada: sou, sim, pré-candidato à Presidência da República”, afirmou Collor, durante evento na cidade de Arapiraca, no interior de Alagoas, com a prefeita, Célia Rocha (PTB). Collor foi eleito presidente em 1989, na primeira eleição direta após a redemocratização do País, derrotando no segundo turno o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele comandou o País entre os anos de 1990 e 1992. Após uma série de denúncias de envolvimento em casos de corrupção, em 29 de dezembro de 1992, Collor renunciou para evitar que o eminente processo de impeachment fosse aprovado. Depois, o Congresso o julgou culpado pelo crime de responsabilidade e cassou seus direitos políticos, tornando-o inelegível durante oito anos. O hoje senador é réu na Lava Jato por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele nega irregularidades. Collor foi reeleito em 2014 e ainda tem mais quatro anos de mandato. Ou seja, pode concorrer a presidente sem ter o risco de ficar sem mandato e sem foro privilegiado.
Repetição. Ao lançar seu nome como pré-candidato a presidente da República, Collor repete movimentos políticos que usou em eleições. Em 2010, ele chegou a fechar uma aliança e depois a abandonou para se lançar ao governo de Alagoas, mas foi derrotado. Na sua eleição anterior ao Senado, em 2006, Collor entrou na disputa faltando um mês para o fim da campanha, em substituição a outro candidato de seu grupo, que tinha menor expressão política./ COLABOROU FELIPE FRAZÃO