Título: Caminho à Cúpula do G20
Autor: Aranda , Lourdes
Fonte: Correio Braziliense, 26/03/2012, Opinião, p. 11
Há quase 100 dias o México assumiu a presidência do Grupo dos 20 (G20). Restam outros tantos para a reunião mais importante desta presidência: a Cúpula que será realizada em Los Cabos, México, em 18 e 19 de junho próximo. Hoje, à metade do caminho para a Cúpula, é oportuno fazer uma pausa para reflexionar a respeito dos avanços realizados e das tarefas que ainda devemos concluir para conseguir uma reunião exitosa em Los Cabos.
Não há dúvida sobre a importância da Cúpula de Los Cabos. O México assumiu a presidência do G20 no meio de uma complexa situação econômica global. A possibilidade de superar esta difícil etapa dependerá da capacidade da comunidade internacional para transcender ações unilaterais e atuar em concordância. Isso exige liderança e é por isso que o G20 tem um papel tão relevante a desempenhar.
Em pouco tempo, o Grupo dos 20 converteu-se no mecanismo, por excelência, para coordenar políticas em matéria econômica, impulsionar melhoras à arquitetura financeira internacional e contribuir a um ambiente estável que seja propício para o crescimento e o desenvolvimento de todos os países. É a melhor ferramenta de que dispomos para superar de maneira ordenada os retos econômicos globais que enfrentamos.
O México tem assumido um papel ativo e construtivo nesse processo. As reuniões de sherpas, ministros e vice-ministros de finanças e presidentes de bancos centrais, bem como a recente e inédita reunião de chanceleres, têm permitido uma discussão detalhada das prioridades da presidência mexicana do G20. Em outras reuniões de grupos de trabalho, seminários e oficinas, avançou-se em temas como o crescimento, a arquitetura financeira internacional ou a regulação financeira.
A primeira reunião de chanceleres do Grupo, à que também foram convidados nove países não membros, serviu para analisar de maneira crítica e construtiva os retos mais importantes da governança global. Discutiram-se temas fundamentais, como a legitimidade e eficiência do Grupo, bem como a interação de interesses nacionais e desafios globais.
Os chanceleres recomendaram, entre outras coisas, aproveitar mais eficazmente as instituições do sistema multilateral, bem como dar seguimento rigoroso aos compromissos assumidos em cúpulas anteriores. Sublinhou-se o papel que devem desempenhar os ministérios de Assuntos Exteriores para dar maior coerência ao trabalho de diferentes ministérios e agências envolvidos na atenção aos retos globais.
Os ministros de Finanças atingiram acordos significativos. Entre outros pontos, destacam os compromissos de concentrar esforços na recuperação econômica e a criação de empregos, avaliar a capacidade da Eurozona de dedicar maiores recursos à criação de barreiras à crise, adotar uma agenda de inclusão e educação financeira, realizar um reporte dos efeitos da volatilidade dos preços das matérias primas e solicitar um reporte sobre crescimento verde.
Finalmente, os sherpas aprovaram alinhamentos específicos para os trabalhos em agricultura, emprego e comércio, e deram seguimento aos progressos realizados nas reuniões de ministros e dos grupos de trabalho. Também formalizaram, pela primeira vez no marco do G20, a aproximação a instituições de investigação acadêmica, mediante o encontro denominado "Think20", que se soma a outras atividades de aproximação a setores sociais: empresários (B20), jovens (E20), sindicatos (L20), e organizações não governamentais, cujas contribuições enriquecerão as discussões dos líderes em Los Cabos.
Os próximos 100 dias permitirão seguir promovendo uma agenda que nos permitirá ir além do urgente, sem desatender os assuntos mais imperativos. Trata-se de uma agenda dirigida a temas estruturais que serão chave no meio prazo. Para consegui-lo, ao longo das próximas semanas levarão a cabo novas reuniões de sherpas, ministros de Finanças e Economia, vice-ministros de finanças, e de diversos grupos de trabalho. Isso nos permitirá avançar na agenda de crescimento, desenvolvimento, energia e matérias primas, inclusão financeira e emprego.
Nosso objetivo é mostrar o valor do G20 na construção de soluções para os problemas que afetam o mundo. O trabalho do G20 deve refletir num crescimento sustentável e um desenvolvimento equitativo. Por isso, seus resultados têm que conduzir não só a um melhor governo econômico global, senão também, e muito especialmente, a avanços tangíveis no âmbito social.
A solidez financeira e a experiência que tem adquirido depois de superar diversas crises econômicas no passado, além do êxito como organizador e presidente da COP 16, deram ao México não só a capacidade para encabeçar o foro mais importante em matéria de governança global, mas também o reconhecimento internacional indispensável para transformar o amplo conjunto de retos globais que enfrentamos em oportunidades para o futuro desenvolvimento de nossas sociedades. Estou certa de que na Cúpula em Los Cabos, o México confirmará o papel que desempenha como um ator responsável, construtivo e respeitado no palco internacional.