Título: O périplo do PT na busca por aliados
Autor: Tarso, Paula Lyra
Fonte: Correio Braziliense, 02/04/2012, Política, p. 2

Petistas lutam para angariar apoio na disputa pela prefeitura de São Paulo, mas não avançam nas negociações. A sigla encontra resistência porque lança nomes próprios nas capitais em vez de ajudar as candidaturas das outras legendas

Isolado em São Paulo e com dificuldade para encontrar parceiros que alavanquem a pré-candidatura de Fernando Haddad à prefeitura paulistana, o PT corre para buscar, entre os aliados no plano federal, quem esteja disposto a emprestar o tempo de tevê e o capital político a Fernando Haddad, um candidato que patina nos 3% de intenção de voto a oito meses das eleições. Mas o partido esbarra na própria autossuficiência que apresenta em outras cidades importantes.

Das 26 capitais que elegerão novos prefeitos em outubro, em apenas 11 o PT aceita não ser cabeça de chapa. "Eles querem ser o novo PRI (Partido Revolucionário Institucional)", disse o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), numa referência à legenda que dominou a política mexicana entre 1929 e 2000.

Dessas 11, apenas Rio, Belo Horizonte, Manaus e Curitiba contam com mais de 1 milhão de eleitores. No Rio, a parceria é estratégica com o PMDB de Eduardo Paes e na capital mineira, a decisão de permanecer ao lado de Márcio Lacerda (PSB) aconteceu após uma pancadaria — literalmente — entre os militantes durante reunião do diretório municipal. Em Curitiba, a possibilidade de apoiar o pedetista Gustavo Fruet deve-se mais à falta de opções internas do que uma simpatia pelo ex-deputado federal e ex-tucano, uma das vozes mais ativas contra o PT durante a CPI do Mensalão. E Manaus não é, exatamente, uma joia da coroa cobiçada pela direção nacional petista.

O ressentimento dos aliados não é mais segredo para ninguém. O presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, disse a interlocutores próximos que não aceitará coligar-se com o PT nos municípios. "O único pedido que nós fizemos foi o apoio à Manuela (deputada federal Manuela D"Ávila, candidata à prefeitura de Porto Alegre) e eles lançaram um nome que não tem sequer peso eleitoral", reclamou o comunista, referindo-se ao deputado estadual Adão Villaverde (veja arte).

Outro aliado que está na berlinda com os petistas é o PSB. O secretário de organização do PT, Paulo Frateschi, e o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, fazem a primeira reunião, hoje, para definir em quais cidades as legendas poderão estar juntas em outubro. O PT está desesperado para convencer os socialistas a apoiar Haddad em São Paulo. O presidente do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, reuniu-se com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada e prometeu que o PSB não vai ajudar o tucano José Serra, mas não assegurou que estará ao lado de Haddad, adiando a resposta para junho.

Telefonema A angústia é tanta que o prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Luiz Marinho (PT), um dos principais interlocutores de Lula, voltou a telefonar para Campos na quarta-feira e pediu para que o anúncio do apoio fosse antecipado para abril ou maio. O PSB espera uma contrapartida do PT. Em João Pessoa, por exemplo, a legenda governa a cidade, com Luciano Agra, mas os petistas lançaram o nome do deputado estadual Luciano Cartaxo, rompendo a parceria — a Paraíba também é governada pelo PSB.

Outros aliados procurados pelo PT também estão na muda. "Não dá para tomar nenhuma decisão sem definirmos nossa situação nacionalmente. Saímos do Ministério (dos Transportes) como bandidos. É a vida de nosso partido que está em jogo, como ficaremos?", indagou ao Correio o presidente nacional do PR, senador Alfredo Nascimento (AM).

Principal nome do PR em São Paulo, o deputado Valdemar Costa Neto também prega cautela. Aos companheiros de partido, lembra que o PT paulista sempre foi muito correto com o PR. Contudo, não perde a oportunidade de tripudiar dos petistas. "Sem o Lula, eles ficam perdidinhos", provocou.