O globo, n. 30889, 03/03/2018. País, p. 6

 

Norma impede ida de Segovia para Itália

03/03/2018

 

 

Segundo regra da PF, policial não pode ocupar duas vagas de adido em três anos

O presidente Michel Temer criou um problema para o novo diretor da Polícia Federal, Rogério Galloro, ao anunciar na quarta-feira que o ex-diretor Fernando Segovia será adido policial do Brasil em Roma, na Itália. Instrução normativa da própria instituição impede que um policial ocupe dois cargos de adido num prazo inferior a três anos. Segovia foi adido na África do Sul no ano passado, alguns meses antes de ser alçado a diretor-geral da PF por Temer.

Quando confrontado com a informação, Galloro reconheceu a existência da norma e disse a seus auxiliares não saber ainda como a questão será resolvida. A regra, com limites para o preenchimento de cargos de adido, foi editada em 2012 pelo ex-diretor Leandro Daiello. Caberá a Galloro decidir se muda a norma.

Outros ex-diretores que deixaram os cargos com Segovia também foram contemplados com adidâncias. O ex-diretor de Combate ao Crime Organizado Eugênio Ricas será adido nos Estados Unidos. O ex-diretor-executivo Sandro Avelar ganhou o cargo de adido em Londres. Hoje, as adidâncias são os cargos mais cobiçados dentro da PF. Para os policiais, as funções representam salários mais altos e a possibilidade de morar com a família no exterior. A demanda por trabalho também é menor.

A adidância na Itália seria um prêmio de consolação. O ex-diretor foi demitido três meses depois de empossado no cargo. Segovia se desgastou por defender Temer publicamente. Quando tomou posse, disse que uma mala de dinheiro não seria suficiente para provar corrupção. Foi uma referência às investigações do Procuradoria-Geral e da própria PF que deram origem a uma das denúncias do ex-procuradorgeral Rodrigo Janot contra Temer.

Às vésperas do carnaval, o exdiretor disse que não existem provas de corrupção no inquérito em que Temer é investigado por suposto favorecimento à empresa Rodrimar na edição do decreto dos portos. Os comentários provocaram forte reação interna, e ele acabou sendo intimado a se explicar diante do ministro Luís Roberto Barroso, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF). Desgastado, Segovia foi demitido pelo ministro.