Título: PT decide rumo em BH
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Fonte: Correio Braziliense, 25/03/2012, Política, p. 7

Belo Horizonte — Com resultados difíceis de serem previstos, 500 delegados do PT se reúnem hoje no Encontro de Tática Eleitoral para decidir o destino político da legenda na sucessão à Prefeitura de Belo Horizonte. Embora a proposta de candidatura própria seja minoritária e a maioria dos delegados eleitos na semana passada aprove a aliança em torno da reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB), um elemento espinhoso poderá ser introduzido no debate: a proposta de veto à participação do PSDB na ampla coligação que se forma em torno de Marcio Lacerda.

Os delegados do PT estão rachados em relação a esse tema, que já foi classificado pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, como "perturbador", mas não fundamental no debate. A direção nacional do partido manifestou-se favoravelmente à reedição da aliança com Lacerda, ainda que o PSDB esteja formalizado na coligação. Pelo entendimento firmado em encontro nacional, o PT não poderá fazer aliança quando o PSDB, o PPS ou o DEM estiverem na chapa majoritária. "Chapa é prefeito ou vice", tem reiterado Rui Falcão em referência ao fato de que, em tese, não existe nenhuma proibição nas normas do PT para a coligação com os tucanos, desde que eles não participem da chapa, como é o caso de Belo Horizonte.

O interesse da executiva nacional no apoio ao PSB de Lacerda se deve, sobretudo, porque o PT tem aliança nacional estratégica com os socialistas, que estão na base do governo Dilma Rousseff . Além disso, em várias cidades, como Fortaleza, o PT nacional trabalha para manter o apoio do PSB do governador Cid Gomes, considerado fundamental para que o partido vença pela terceira vez consecutiva as eleições na capital cearense. Em João Pessoa, as conversas entre petistas e socialistas já azedaram. A tendência é de que o PT lance candidatura própria à prefeitura municipal, em oposição à socialista Estelizabel Bezerra, apoiada pelo governador Ricardo Coutinho (PSB). Em Belo Horizonte, a relação entre o PT e o PSB está conturbada sobretudo pelos atritos entre o vice-prefeito, Roberto Carvalho, que também é presidente municipal do PT, e Marcio Lacerda. Com a interlocução rompida com o prefeito, coube a Carvalho deflagrar o movimento da candidatura própria.