Título: PIB fraco e calmaria nos preços
Autor: Cristino, Vania
Fonte: Correio Braziliense, 29/03/2012, Economia, p. 18
PIB fraco e calmaria nos preços
O Banco Central vai explicitar hoje os motivos que levaram o Comitê de Política Monetária (Copom) a garantir, na ata da última reunião, a manutenção dos juros em um dígito por um período prolongado. As justificativas serão dadas hoje pelo diretor de Política Econômica, Carlos Hamilton de Araújo, durante a divulgação do Relatório Trimestral de Inflação. A tendência é que o documento vai trazer projeções mais desfavoráveis para a atividade econômica e traçar um cenário de calmaria para a inflação. Para os analistas, o BC vai aproveitar a oportunidade ainda para reafirmar sua expectativa positiva para a indústria.
No início da semana, o presidente da casa, Alexandre Tombini, chegou a afirmar que os estoques da indústria foram ajustados e que as fábricas devem voltar a operar a pleno vapor — a fala do presidente ocorreu nos Estados Unidos, durante evento com autoridades e empresários da Flórida. Apesar da segurança de Tombini na retomada do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor fabril, as projeções do BC para o crescimento do país no ano, segundo economistas ouvidos pelo Correio, devem ser reduzidas.
Cenário Essa perspectiva de um menor crescimento para o país e de uma inflação mais moderada estará entre as justificativas da autoridade monetária para a redução do juros e para a manutenção dele em um dígito. "O cenário da diretoria do BC está mais benigno para a inflação e pior para a atividade econômica. Com isso, pelo menos até 2013 a instituição deve manter os juros em um dígito", observou André Perfeito, economista-chefe da Corretora Gradual Investimento. "A Selic, entretanto, chegou a um patamar que não dá mais para cair. O BC deve mantê-la em 9%, porque, se derrubar mais, vai afetar a poupança e o governo terá dificuldades para rolar a dívida pública", ponderou o analista.
Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, acredita que o BC deixará os juros em um dígito até meados de 2013, mas ele alerta que os riscos inflacionários podem voltar no fim de 2012, devido aos estímulos dados à atividade econômica — cenário que jogaria por terra a estratégia adotada pela autoridade monetária. "Nesse caso, como alguns diretores da instituição já sinalizaram, o BC deve adotar medida macroprudenciais (restritivas) para conter a inflação, caso ela venha a pressionar", avaliou.
Projeções em queda
As expectativas em relação ao Relatório Trimestral de Inflação, ao lado de um cenário externo mais negativo, levaram a maioria dos contratos de juros negociado no mercado futuro a fechar em queda ontem. As taxas sinalizam como o mercado projeta o comportamento da taxa básica (Selic). Às 16h16, o contrato de janeiro de 2013 indicava uma taxa de 8,910% ao ano. Entre os contratos de vencimento mais longo, as projeções estavam em baixa. O de janeiro de 2017 fechou a 10,610% ao ano, ante 10,680% do fechamento da terça-feira.
Gasolina no radar O governo segue monitorando as cotações internacionais do petróleo antes de qualquer decisão sobre um eventual reajuste dos preços internos dos combustíveis, disse ontem uma autoridade. Nos Estados Unidos, o petróleo fechou ontem com baixa de US$ 1,92 por barril, cotado a US$ 105,41. O petróleo tipo Brent também terminou a quarta-feira com queda: redução de US$ 1,38 por barril e valor final de US$ 124,16. "Se o petróleo mantiver a queda, dificilmente teremos reajuste da gasolina", afirmou a fonte. Alegando defasagem entre os preços domésticos e os internacionais, a Petrobras vem reivindicando um reajuste da gasolina. O governo, de acordo com o interlocutor, entende a preocupação da estatal, mas também precisa estar atento ao eventual impacto do aumento na inflação. "Vamos monitorar os preços antes de qualquer decisão", reforçou.