Título: ONU denuncia ataques a crianças
Autor: Garcia, Larissa
Fonte: Correio Braziliense, 29/03/2012, Mundo, p. 29
A alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, Navi Pillay , acusou ontem o regime da Síria de ordenar que as forças leais ao presidente Bashar Al-Assad atinjam crianças "deliberada e sistematicamente". Falando à emissora britânica BBC, Pillay foi direta e específica sobre o que classificou como práticas cruéis contra os menores sírios. "Temos provas de que crianças levaram tiros no joelho, foram presas em condições desumanas, sem acesso a medicamentos, e foram alvo de brutalidade. É horrível", desabafou.
O exército sírio manteve os ataques contra redutos da oposição, embora Al-Assad tenha oficialmente aceitado um plano de seis pontos para pôr fim à violência, proposto pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan. Como justificativa, o governo acusou grupos rebeldes de assassinarem um alto oficial em Aleppo, no norte do país. O general Khleif Al-Abdullah foi surpreendido no caminho para o trabalho, segundo a agência estatal Sana.
A comissária Nações Unidas frisou que a alegação do regime sírio de que existem "terroristas" entre os opositores não é desculpa para atacar civis. "Isso é crime sob a lei internacional", destacou. Navi Pillay afirmou que o presidente terá de ser julgado no Tribunal Penal Internacional, por conta das denúncias de abuso. Al-Assad luta para manter-se no poder há um ano, quando começaram os protestos em várias cidades. A ONU estima que mais de 9 mil pessoas tenham morrido desde então. Apenas ontem, 27 pessoas foram vítimas de bombardeios, segundo os Comitês Locais de Coordenação (LCCs).
Descrença Os Estados Unidos duvidam que o presidente sírio cumpra a promessa de aplicar plano de Kofi Annan, enviado pela ONU à Síria em mais uma tentativa de negociação. "As prisões e a violência continuam", acusou a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland. O país pediu que a pressão sobre o regime seja intensificada. "Julgaremos (o ditador) por seus atos, não por suas promessas", declarou a funcionária. O atual secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também convocou diretamente Al-Assad a aplicar imediatamente o plano de Annan.
"Patinho" na rede O ditador Bashar Al-Assad foi ridicularizado ontem por internautas e por exilados sírios (foto) após a publicação de um suposto e-mail em que sua mulher, Asma, o chama de "patinho". A mensagem está entre as que foram publicadas pela imprensa britânica, a partir de vazamentos por parte de opositores sírios. No texto, datado de 18 de janeiro, a primeira-dama apelida o marido de "patinho careca" e assina como "a sua patinha".