Título: Obama quer cooperar com pré-sal
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Fonte: Correio Braziliense, 10/04/2012, Política, p. 3

Washington (EUA) — Os Estados Unidos vão direcionar a bussóla comercial com o Brasil nos próximos anos para a área de energia. O presidente norte-americano, Barack Obama, concentrou a maior parte de seu discurso de ontem nesse tema, especialmente em um momento em que o petróleo dispara em meio à queda da demanda. "Temos muitas oportunidades de cooperação na área de energia. O Brasil tem rios extraordinários e uma infinidade de reservas naturais. Vamos fazer um trabalho muito grande de cooperação na área energética", destacou Obama no discurso ao lado da presidente Dilma Rousseff na Casa Branca.

Os dois discutiram os progressos do acordo na área de energia firmado em março na visita de Obama ao país. "O Brasil é um líder incontestável em termos de biocombustíveis e também é um ator mundial na questão de gás e petróleo. Os EUA esperam não ser apenas um grande freguês, mas também queremos cooperar de forma muito ampla no setor energético", afirmou.

O presidente norte-americano citou que um dos temas das discussões entre os dois presidentes foi o Oriente Médio, principal região fornecedora do petróleo para os EUA e que pode sofrer embargo ainda neste semestre. Dilma não fez manifestações sobre o tema, apenas defendeu que a diplomacia venha sempre antes de qualquer outra medida. Aproveitando os conflitos no Oriente Médio e no norte da África, o Brasil vem despontando como um novo fornecedor de petróleo para os EUA. "Eles estão procurando ficar menos dependentes dos países árabes", destacou a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, ao comentar o salto de mais de 100% nas exportações brasileiras de petróleo para os EUA entre janeiro e março deste ano.

Demandas Os empresários que integram a comitiva que acompanha a presidente Dilma Rousseff nos EUA pressionam o país a defender o fim da bitributação dos lucros nas transações de importação e exportação, que faz com que as empresas cheguem a pagar 60% de imposto. "Acredito que, a partir desta viagem, esse acordo volte a ter uma atenção, que os esforços voltarão a ser feitos em ambos os lados", afirmou o CEO da Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), Gabriel Rico. Atualmente, as empresas brasileiras com investimentos nos EUA preferem reinvestir o lucro no próprio exterior, para não ter que pagar impostos duas vezes.

O anúncio da inclusão do Brasil no programa Global Entry, que facilita a entrada de estrangeiros que vão com frequência aos EUA, foi visto como sinal de harmonia entre os dois países. O presidente do US Chamber of Commerce, Thomas Donahue, pediu um acordo comercial entre as duas economias que preveja regras de acesso a mercados, de comércio e instrumentos de cooperação. "Estamos ansiosos para ouvir a visão de nossos governantes sobre uma relação mais forte entre os dois países", afirmou.