O Estado de São Paulo, n.45417 , 21/02/2018. POLÍTICA, p.A7

PTB DESISTE DE INDICAR CRISTIANE AO MINISTÉRIO

Isadora Peron

Igor Gadelha

 

 

Interino deve ser efetivado na pasta do Trabalho; PGR recebe inquérito criminal contra deputada

 

O PTB recuou ontem de manter a indicação da deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) para o Ministério do Trabalho. O atual ministro interino, Helton Yomura, deve ser efetivado e Leonardo Arantes, sobrinho do líder do partido na Câmara, Jovair Arantes (GO), deve ser indicado para assumir a secretaria executiva.

O acordo foi fechado entre o presidente do partido, Roberto Jefferson, pai de Cristiane, e Jovair e será levado ao presidente Michel Temer. O Estado não conseguiu contato com o líder do PTB. A desistência foi anunciada por Jefferson no Twitter.

Segundo ele, diante da “indecisão” da presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, o melhor caminho era retirar o nome de Cristiane do páreo. “Chega, chega. Tirei a minha filha do fogo cruzado. Não podia mais deixar ela lá.”

Na semana passada, Cármen Lúcia determinou que a competência para julgar o caso de Cristiane era do Supremo e não do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que havia liberado a posse dela como ministra.

Em nota, Cristiane, alvo de ações trabalhistas, afirmou que “não foi possível esperar a decisão” do STF e que agora “estava pronta para esclarecer” todas as questões que haviam sido levantadas a seu respeito.

 

Inquérito. A decisão ocorreu no mesmo dia em que chegou à Procuradoria-Geral da República o inquérito que investiga o envolvimento da parlamentar com o tráfico de drogas e associação para o tráfico. Segundo o órgão, a PGR vai analisar o inquérito e tomar providências para a continuação das investigações.

Como o Estado revelou, o processo foi aberto após denúncias recebidas pela Polícia Civil e Ministério Público Estadual do Rio de que Cristiane teria pago propina a traficantes para fazer campanha. Ela nega. / COLABOROU CONSTANÇA REZENDE

 

'Fogo cruzado'

“Chega, chega. Tirei a minha filha do fogo cruzado. Não podia mais deixar ela lá.”

Roberto Jefferson

PRESIDENTE DO PTB