O globo, n. 30935, 18/04/2018. País, p. 6

 

Objetos de Lula furtados

Gustavo Schmitt e Luiza Dalmazo

18/04/2018

 

 

Passaporte e roupas lavadas estavam com funcionário que comprou equipamento para sítio

- CURITIBA E SÃO PAULO - O carro usado por um dos assessores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi furtado na madrugada de ontem, em Curitiba. Além de cartas enviadas por eleitores e roupa de cama já lavada, os assaltantes levaram o passaporte do petista, de acordo com o relato da presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

O documento furtado estava com Edson Antônio Moura Pinto, o mesmo assessor que, em 19 de dezembro de 2013, comprou os dois pedalinhos usados no sítio de Atibaia, objeto de outro processo contra Lula na Operação Lava-Jato. As notas fiscais de compra dos equipamentos estavam em nome de Moura Pinto. Estacionados num lago ao lado da casa principal, os pedalinhos, segundo as investigações, traziam os nomes dos netos do ex-presidente.

Moura Pinto é subtenente do Exército e assessor especial da Presidência. Trabalha na segurança do petista desde que ele deixou o cargo, em 2010. O carro usado por ele estava estacionado em uma rua próxima ao diretório do PT de Curitiba, na região central. Foram levados outros objetos pessoais do ex-presidente, como roupas, uma pasta com documentos e talões de cheque.

No caso do sítio, Lula é investigado desde fevereiro de 2016. Os procuradores acreditam que Lula pode ter sido beneficiado com o imóvel, que ao longo dos anos, recebeu obras de R$ 1 milhão bancadas por duas empreiteiras: Odebrecht e OAS.

O ex-presidente foi denunciado nesse caso em maio do ano passado, e o juiz Sergio Moro tornou o ex-presidente réu em agosto de 2017.

Gleisi Hoffmann contou que o carro do assessor foi arrombado na Alameda Julia da Costa, no bairro de São Francisco.

— Estamos muito preocupados com esse caso de furto de objetos pessoais do presidente. Pode ter sido um furto casual, mas pode ter sido outra coisa. Estamos falando da segurança do presidente — disse Gleisi, que ontem visitou o presidente numa cela especial da Polícia Federal junto com outros dez senadores.