Título: Sem interferência direta
Autor: Braga, Juliana
Fonte: Correio Braziliense, 21/04/2012, Política, p. 4
Em meio a disputas internas no PT para escolher quem relatará a CPI instalada no Congresso, a presidente Dilma Rousseff falou ontem pela primeira vez sobre as denúncias envolvendo o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e integrante do Legislativo e do Executivo. Sem querer dizer o nome que prefere para a relatoria do caso, a presidente afirmou que não irá interferir nos trabalhos do Congresso. “Vocês acreditam mesmo que eu vou me manifestar, além das minhas múltiplas atividades que eu tenho de lidar todo dia, eu vou interferir na questão de outro poder?”, comentou.
Apesar da declar ação, Dilma anda às voltas com uma batalha no PT par a definir quem cuidará do relatór io da CPI e se movimenta para impedir que o escolhido seja o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Prefer ido do ex-pr esidente Luiz I nácio Lula da Silva e de outros petistas ligados a ele , Vaccarezza causa tensão no Planalto, que teme que o fato de ele ter sido destituído do cargo de líder do governo tenha deixado alguma mágoa. O nome defendido por Dilma é o do deputado Paulo Teixeira, também do PT de São Paulo. Dilma limitou-se ontem a, de forma genérica, dizer acreditar que “todas as coisas têm que ser apuradas”, mas que não se manifestar ia sobre o caso específico.
“Eu tenho uma posição em relação ao governo, que vocês conhecem, e eu não me manifesto sobre outro poder. De maneira alguma”, pontuou. Mas fez questão de ressaltar que manterá uma postur a de respeito à investiga ção dos parlamentares. “A CP I é algo afeto ao Congresso. O governo federal terá uma posição absolutamente de respeito ao Congresso nessa área”, sustentou.
Casa Civil
Quem também comentar sobr e a CP I foi a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. Ao sair de uma reunião preparatória sobre a Rio +20 na capital fluminense , manteve o discurso semelhante ao de Dilma e disse que “é um tema que cabe ao C ongresso Nacional decidir e discutir ”. Gleisi não demonstrou estar preocupada com o impacto que a cr iação de uma CPI no C ongresso pode ter nas políticas do governo federal. “Essa não é a primeir a CPI e nem deve ser a última.”
Delta deixa a obra do Maracanã
A Delta Construções vai sair do consórcio responsável pela reforma do Maracanã, o palco da final da Copa do Mundo de 2014. A decisão foi tomada pelas empresas que integram o consórcio: Odebrecht Infraestrutura (49%) e Andrade Gutierrez (21%). A empreiteira, com uma par ticipação de 30% no consórcio Maracanã Rio 2014, é citada no inquérito da Operação Monte Carlo. É o primeiro golpe sofrido pela construtora de Fernando Cavendish, desde que começaram a surgir denúncias envolvendo a empresa com o esquema de corrupção comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.