Título: Argentina cobra investimento
Autor: Ribas, Sílvio
Fonte: Correio Braziliense, 21/04/2012, Economia, p. 24

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, reafirmou ontem que as operações da Petrobras na Argentina não correm risco. Ao lado do ministro do Planejamento do país vizinho, Julio de Vido, interventor da petrolífera YPF, ele enalteceu as boas relações entre os dois países e ressaltou que "não tem razão para duvidar" delas, sobretudo neste momento, em que a Casa Rosada incentiva uma maior presença da estatal brasileira no mercado argentino. "Confiamos na Argentina e a nossa intenção é investir o máximo lá, porque é bom negócio para a Petrobras e é interessante para o governo argentino", disse. Os dois se reuniram por quase duas horas na sede do ministério, em Brasília, acompanhados dos principais assessores e da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.

Lobão vem mostrando cautela desde o início da crise aberta na segunda-feira última, quando a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, expropriou 51% das ações da YPF em mãos do grupo espanhol Respol e enviou ao Congresso projeto de um novo marco legal para o setor petrolífero. Segundo o ministro, os investimentos da Petrobras no mercado argentino foram de US$ 500 milhões, montante que deverá se repetir este ano.

A ampliação desses valores, ressaltou ele, está condicionada à prioridade dada pela estatal, desde o ano passado, aos projetos domésticos, concentrados em pesadas encomendas para a exploração da camada pré-sal. "Na medida em que pudermos, vamos atender o pedido argentino. Além da capitalização realizada pelo governo brasileiro, a Petrobras tem linhas de crédito em bancos nacionais e internacionais. Os investimentos internos são cada vez maiores, mas o mesmo ocorre no exterior", acrescentou.

Seu comentário foi feito após De Vido ter pedido explicitamente que a estatal amplie seus investimentos na produção em território argentino, no sentido de, pelo menos, recuperar a participação da estatal brasileira em 2003 (então 12% do mercado total), atualmente em 8%. "A Petrobras atua de cabo a rabo em meu país, desde a extração do petróleo até os postos de combustíveis. Acredito que poderia alcançar uma presença de 15%", ressaltou o ministro.

Lobão lembrou, contudo, que seriam precisos investimentos "na casa de bilhões de dólares" na expansão da capacidade no parceiro do Mercosul, com resultados impossíveis de serem percebidos em um futuro imediato.

Bloqueio

Os dois ministros também informaram que a Casa Rosada está empenhada na saída negociada para o impasse entre as autoridades locais da província de Neuquém e a Petrobras, no sentido de reverter a suspensão de uma licença da estatal na sua principal área de exploração. "As províncias têm leis próprias e Cristina está atuando para remover obstáculos", disse Lobão.

"Acreditamos numa saída para esse tema, só não sei ainda qual", acrescentou De Vido. O ministro argentino informou que a YPF ficará sob intervenção estatal direta por 30 dias. Ele se reunirá segunda-feira com executivos da petroleira francesa Total e da norte-americana Chevron. Na terça-feira, será a vez da Exxon.

Em março passado, Lobão e De Vido se reuniram com a presidente argentina em Buenos Aires, onde foram avaliados os planos de investimento da Petrobras e o projeto para a construção de duas hidrelétricas binacionais (Garabi e de Panambi), que, segundo o titular da pasta de Minas e Energia, "se encontram avançados".