O Estado de São Paulo, n. , dd/04/2018. Política, p. A11

 

Marina afirma ser contra a privatização da Eletrobrás

Marianna Holanda

12/04/2018

 

 

Presidenciável da Rede defende a manutenção da Petrobrás, BB e Caixa sob controle do Estado

A pré-candidata à Presidência pela Rede, Marina Silva, declarou ontem ser contrária à privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. A ex-ministra do Meio Ambiente criticou a forma como o governo federal propôs a desestatização da Eletrobrás, que tramita hoje na Câmara dos Deputados. O discurso se contrapõe ao do presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), que já defendeu a desestatização da Petrobrás.

“Não tenho uma posição contrária às privatizações, só não pode ser feita de qualquer jeito. E sou contra a privatização da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica”, afirmou, ontem, em entrevista à Rádio Eldorado, que vai ao ar na próxima segunda-feira.

Para a ex-ministra do Meio Ambiente, é um problema se discutir a desestatização da Eletrobrás, sem debater antes formas de energia limpa. “O governo apresentou um projeto de privatização sem antes ter um plano de geração de energia para os próximos 10, 20 anos no Brasil. Se o governo disser que vai continuar fazendo grandes barragens como Belo Monte, temos um problema”, disse.

Pela terceira vez disputando a Presidência, Marina apresentará, pela primeira vez, um programa de seu partido. Nas eleições anteriores, se lançou pelo PV e pelo PSB. Neste ano, Marina adota um discurso mais social e deixa para trás ao menos parte dos elementos neoliberais de seu programa de 2014, como a independência do Banco Central (herdada da coligação com PSB).

Ao Estado, a presidenciável também defendeu a institucionalização de políticas econômicas e sociais e “tratar as conquistas não como partidárias”. “Recuperar o tripé macroeconômico do Plano Real para que esse País possa ter estabilidade econômica. Tornar as políticas sociais, de transferência de renda em direitos, para que as pessoas não se sintam devendo favor a ninguém”, explicou.

Tese. A ideia é apresentada também na tese de conjuntura apresentada pela Rede no último domingo. O documento de sete páginas é uma prévia do tom que a candidata deve seguir nesta disputa.

Intitulado “Eleições limpas e democráticas para refundar a democracia”, o documento diz que o objetivo da sigla será “mudar o sistema político e fazer a transição para um modelo de desenvolvimento fundado na justiça social”. Mais à frente, afirma que justiça social seria “ir além de prover meios de subsistência imediata aos mais pobres”.

Esse processo de tornar políticas institucionais, para distanciá-las de governos, é chamado de política social de 3.ª geração pela Rede: “Revolução do conhecimento e das novas tecnologias, com políticas sociais voltadas para a integração produtiva, cultural e cidadã das pessoas”.

O texto da Rede defende ainda uma “nova economia” centrada na “promoção de produtividade e distribuição de renda, definitivamente comprometida com os princípios socioambientais”.

O coordenador de programa de Marina, João Capobianco, deve apresentar no fim do mês uma prévia do plano de governo, com diretrizes mais formadas. Com 22 milhões de votos nas eleições de 2014, esta deve ser a última disputa da presidenciável da Rede. Nas disputas anteriores, 2010 e 2014, Marina ficou em terceiro lugar.

Projeto​. Marina ao oficializar pré-candidatura, sábado; programa defende ‘nova economia’

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‘Não só Lula, mas ninguém passa votos’

Pedro Ivo, porta-voz da Rede eleito no domingo passado

12/04/2018

 

 

Qual a principal diferença de Marina 2014 para Marina 2018?

Mesmo a Marina sendo presidente, não era o programa da Rede. Teremos um programa, uma campanha mais próxima da Rede. Segundo, ela está bem mais preparada que em 2014. Nós subestimamos a maldade dos adversários. A gente não acreditava que os partidos que se dizem progressistas, afinal de contas, PT e PSDB, usassem desses artifícios de desconstrução.

 

Como está a conversa com outros partidos?

Conversamos com o PPL, PV, PSB e PMN. Não tem muita restrição. A nossa aliança é sempre programática e em cima da realidade estadual, porque o Brasil é muito diferente. A gente orienta a não fazer aliança com partidos da polarização (MDB, PSDB e PT), mas dependendo do pode haver exceção.

 

Como o sr. vê a possível candidatura de Joaquim Barbosa?

É uma pessoa decente e a gente espera que seja mais um a contribuir com o debate democrático.

 

Como vocês poderiam atrair o eleitorado petista?

Não só Lula, mas ninguém passa seus votos. Acho que se o Lula não for candidato, o PT vai herdar parte dos votos, com os petistas orgânicos, e outros segmentos poderão trazer esses eleitores mediante um programa. Nós temos dois elementos fortes: acabar com as desigualdades, (fazer) justiça social; e uma economia, nem da direita, nem da esquerda. Acreditamos num Estado forte, mas que investe na criatividade da economia.