O Estado de São Paulo, n. 45391, 26/01/2018. Política, p. A5
PT fala em desobedecer à decisão do TRF
Vera Rosa
26/01/2018
Em encontro da Executiva Nacional do partido, Lula e petistas estimularam desrespeito à determinação do tribunal federal e enfrentamento
Um dia depois de ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) a 12 anos e um mês de prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não respeitará a decisão da Justiça. Em ato político que aprovou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, ontem, o ex-presidente conclamou os militantes a uma ofensiva nas ruas para seguir com a campanha, “mesmo se acontecer alguma coisa indesejável”, e pregou o enfrentamento. “Esse ser humano simpático que está falando com vocês não tem nenhuma razão para respeitar a decisão de ontem (anteontem)”, afirmou o ex-presidente, na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), onde ocorreu a reunião da Executiva Nacional do PT. “Quando as pessoas se comportam como juízes, sempre respeitei, mas, quando se comportam como dirigentes de partido político, contando inverdades, realmente não posso respeitar.”
As afirmações de Lula foram feitas antes da decisão da Justiça Federal do Distrito Federal, acatada por ele, de apreender seu passaporte. Com a voz que ficou embargada algumas vezes, o ex-presidente fez questão de destacar que retomará as caravanas pelo Brasil, mas apelou ao PT e aos movimentos sociais para que o ajudem no embate nas ruas. “Espero que a candidatura não dependa do Lula. Que vocês sejam capazes de fazê-la, mesmo se acontecer alguma coisa indesejável, e colocar o povo brasileiro em movimento.” O PT promoveu um ato para lançar Lula à Presidência com o objetivo de mostrar que não aceitará o que classifica como “julgamento político”. Participaram do encontro governadores, parlamentares, integrantes de movimentos sociais e a presidente cassada Dilma Rousseff. O maior temor do partido, agora, é de que Lula seja preso antes do registro da candidatura, previsto para 15 de agosto, último dia do prazo estabelecido pela Lei Eleitoral.
‘Cartel’. Em um discurso inflamado, o ex-presidente disse que o Poder Judiciário, a imprensa e a elite formaram um “cartel” para destruir o PT e tirá-lo do jogo eleitoral. “Somente ontem (anteontem) eu compreendi o que é um cartel. Precisava até mandar para o Cade”, ironizou ele, em uma referência ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Ao lembrar que enfrenta outros processos, Lula insistiu na necessidade de reação dos militantes. “Ou vocês percebem que o que está sendo julgado é a forma que governamos o País e se organizam, ou o próximo passo será a tentativa de criminalizarem o PT, porque estão tentando dizer que o PT é uma organização criminosa”, afirmou.
‘Desobediência’. A estratégia do partido é a de incentivar protestos contra a decisão do TRF4, sob o argumento de que Lula foi condenado sem provas por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusado de receber da OAS um triplex no Guarujá (SP), em troca de favorecimento à empreiteira por meio de contratos da Petrobrás. O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ), defendeu a ocupação das ruas para proteger o ex-presidente. “Não nos peçam passividade nesse momento. Há uma ditadura de toga nesse país. Não podemos mais dizer que vivemos numa democracia e agora só temos um caminho: a rebelião cidadã e a desobediência civil”, disse ele. “Vão fazer o quê? Prender o Lula? Vão ter de prender milhões de brasileiros antes.” O mesmo tom foi usado por Humberto Costa (CE), líder da oposição no Senado. “A única maneira de barrarmos o golpe e garantir a candidatura de Lula é ir às ruas e partir para a desobediência civil”, disse.
O presidente do PT paulista, Luiz Marinho, chegou a afirmar que Lula não será preso sob nenhuma hipótese. “A prisão pode ser o desejo de muita gente, mas não vão assistir a isso”, disse o petista, que é pré-candidato do PT ao governo de São Paulo. “Se o Judiciário tirou as coisas dos eixos, o que vamos fazer? Ficar de braços cruzados? Estão querendo botar fogo no País. Depois não venham dizer que somos culpados.” Diante de uma plateia que gritava “Brasil/Urgente/Lula presidente”, o deputado e advogado Wadih Damous (PT-RJ) comparou a decisão do TRF-4 ao fascismo. “Aquele julgamento foi absolutamente coerente com o que acontece hoje no Brasil em que o sistema jurídico é o pilar do fascismo.”
Greves. Ao participar do desagravo a Lula, o líder do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse que a condenação de Lula não será aceita “de maneira nenhuma”. “Aqui vai um recado para a dona Polícia Federal e para o ‘seu’ Poder Judiciário: não pensem que vocês mandam no País. Nós impediremos que Lula seja preso. Esse é o nosso compromisso”, provocou Stédile. O presidente da CUT, Vagner Freitas, também foi na mesma linha e prometeu até organizar uma greve geral no País. “Nós vamos enfrentar nas ruas e desobedecer à decisão do TRF-4”, anunciou. Freitas disse que a CUT promoverá brevemente paralisações em bancos. Afirmou, ainda, que se a reforma da Previdência for votada no próximo dia 19, a entidade fará a “maior greve da sua história”. / COLABORARAM ANDRÉ ÍTALO ROCHA e THAÍS BARCELLOS
Grupos deixam Porto Alegre
Militantes de esquerda que estiveram anteontem na capital gaúcha para acompanhar julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo TRF4 desmontaram acampamento ontem.
‘Inverdades’
“Quando as pessoas se comportam como juízes, sempre respeitei, mas quando se comportam como dirigentes de partido político, contando inverdades, realmente não posso respeitar.”
Luiz Inácio Lula da Silva, EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Um dia depois de ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) a 12 anos e um mês de prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não respeitará a decisão da Justiça. Em ato político que aprovou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, ontem, o ex-presidente conclamou os militantes a uma ofensiva nas ruas para seguir com a campanha, “mesmo se acontecer alguma coisa indesejável”, e pregou o enfrentamento. “Esse ser humano simpático que está falando com vocês não tem nenhuma razão para respeitar a decisão de ontem (anteontem)”, afirmou o ex-presidente, na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), onde ocorreu a reunião da Executiva Nacional do PT. “Quando as pessoas se comportam como juízes, sempre respeitei, mas, quando se comportam como dirigentes de partido político, contando inverdades, realmente não posso respeitar.”
As afirmações de Lula foram feitas antes da decisão da Justiça Federal do Distrito Federal, acatada por ele, de apreender seu passaporte. Com a voz que ficou embargada algumas vezes, o ex-presidente fez questão de destacar que retomará as caravanas pelo Brasil, mas apelou ao PT e aos movimentos sociais para que o ajudem no embate nas ruas. “Espero que a candidatura não dependa do Lula. Que vocês sejam capazes de fazê-la, mesmo se acontecer alguma coisa indesejável, e colocar o povo brasileiro em movimento.” O PT promoveu um ato para lançar Lula à Presidência com o objetivo de mostrar que não aceitará o que classifica como “julgamento político”. Participaram do encontro governadores, parlamentares, integrantes de movimentos sociais e a presidente cassada Dilma Rousseff. O maior temor do partido, agora, é de que Lula seja preso antes do registro da candidatura, previsto para 15 de agosto, último dia do prazo estabelecido pela Lei Eleitoral.
‘Cartel’. Em um discurso inflamado, o ex-presidente disse que o Poder Judiciário, a imprensa e a elite formaram um “cartel” para destruir o PT e tirá-lo do jogo eleitoral. “Somente ontem (anteontem) eu compreendi o que é um cartel. Precisava até mandar para o Cade”, ironizou ele, em uma referência ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Ao lembrar que enfrenta outros processos, Lula insistiu na necessidade de reação dos militantes. “Ou vocês percebem que o que está sendo julgado é a forma que governamos o País e se organizam, ou o próximo passo será a tentativa de criminalizarem o PT, porque estão tentando dizer que o PT é uma organização criminosa”, afirmou.
‘Desobediência’. A estratégia do partido é a de incentivar protestos contra a decisão do TRF4, sob o argumento de que Lula foi condenado sem provas por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusado de receber da OAS um triplex no Guarujá (SP), em troca de favorecimento à empreiteira por meio de contratos da Petrobrás. O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ), defendeu a ocupação das ruas para proteger o ex-presidente. “Não nos peçam passividade nesse momento. Há uma ditadura de toga nesse país. Não podemos mais dizer que vivemos numa democracia e agora só temos um caminho: a rebelião cidadã e a desobediência civil”, disse ele. “Vão fazer o quê? Prender o Lula? Vão ter de prender milhões de brasileiros antes.” O mesmo tom foi usado por Humberto Costa (CE), líder da oposição no Senado. “A única maneira de barrarmos o golpe e garantir a candidatura de Lula é ir às ruas e partir para a desobediência civil”, disse.
O presidente do PT paulista, Luiz Marinho, chegou a afirmar que Lula não será preso sob nenhuma hipótese. “A prisão pode ser o desejo de muita gente, mas não vão assistir a isso”, disse o petista, que é pré-candidato do PT ao governo de São Paulo. “Se o Judiciário tirou as coisas dos eixos, o que vamos fazer? Ficar de braços cruzados? Estão querendo botar fogo no País. Depois não venham dizer que somos culpados.” Diante de uma plateia que gritava “Brasil/Urgente/Lula presidente”, o deputado e advogado Wadih Damous (PT-RJ) comparou a decisão do TRF-4 ao fascismo. “Aquele julgamento foi absolutamente coerente com o que acontece hoje no Brasil em que o sistema jurídico é o pilar do fascismo.”
Greves. Ao participar do desagravo a Lula, o líder do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse que a condenação de Lula não será aceita “de maneira nenhuma”. “Aqui vai um recado para a dona Polícia Federal e para o ‘seu’ Poder Judiciário: não pensem que vocês mandam no País. Nós impediremos que Lula seja preso. Esse é o nosso compromisso”, provocou Stédile. O presidente da CUT, Vagner Freitas, também foi na mesma linha e prometeu até organizar uma greve geral no País. “Nós vamos enfrentar nas ruas e desobedecer à decisão do TRF-4”, anunciou. Freitas disse que a CUT promoverá brevemente paralisações em bancos. Afirmou, ainda, que se a reforma da Previdência for votada no próximo dia 19, a entidade fará a “maior greve da sua história”. / COLABORARAM ANDRÉ ÍTALO ROCHA e THAÍS BARCELLOS
Grupos deixam Porto Alegre
Militantes de esquerda que estiveram anteontem na capital gaúcha para acompanhar julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo TRF4 desmontaram acampamento ontem.
‘Inverdades’
“Quando as pessoas se comportam como juízes, sempre respeitei, mas quando se comportam como dirigentes de partido político, contando inverdades, realmente não posso respeitar.”
Luiz Inácio Lula da Silva
EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Um dia depois de ser condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) a 12 anos e um mês de prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não respeitará a decisão da Justiça. Em ato político que aprovou sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto, ontem, o ex-presidente conclamou os militantes a uma ofensiva nas ruas para seguir com a campanha, “mesmo se acontecer alguma coisa indesejável”, e pregou o enfrentamento. “Esse ser humano simpático que está falando com vocês não tem nenhuma razão para respeitar a decisão de ontem (anteontem)”, afirmou o ex-presidente, na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), onde ocorreu a reunião da Executiva Nacional do PT. “Quando as pessoas se comportam como juízes, sempre respeitei, mas, quando se comportam como dirigentes de partido político, contando inverdades, realmente não posso respeitar.”
As afirmações de Lula foram feitas antes da decisão da Justiça Federal do Distrito Federal, acatada por ele, de apreender seu passaporte. Com a voz que ficou embargada algumas vezes, o ex-presidente fez questão de destacar que retomará as caravanas pelo Brasil, mas apelou ao PT e aos movimentos sociais para que o ajudem no embate nas ruas. “Espero que a candidatura não dependa do Lula. Que vocês sejam capazes de fazê-la, mesmo se acontecer alguma coisa indesejável, e colocar o povo brasileiro em movimento.” O PT promoveu um ato para lançar Lula à Presidência com o objetivo de mostrar que não aceitará o que classifica como “julgamento político”. Participaram do encontro governadores, parlamentares, integrantes de movimentos sociais e a presidente cassada Dilma Rousseff. O maior temor do partido, agora, é de que Lula seja preso antes do registro da candidatura, previsto para 15 de agosto, último dia do prazo estabelecido pela Lei Eleitoral.
‘Cartel’. Em um discurso inflamado, o ex-presidente disse que o Poder Judiciário, a imprensa e a elite formaram um “cartel” para destruir o PT e tirá-lo do jogo eleitoral. “Somente ontem (anteontem) eu compreendi o que é um cartel. Precisava até mandar para o Cade”, ironizou ele, em uma referência ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Ao lembrar que enfrenta outros processos, Lula insistiu na necessidade de reação dos militantes. “Ou vocês percebem que o que está sendo julgado é a forma que governamos o País e se organizam, ou o próximo passo será a tentativa de criminalizarem o PT, porque estão tentando dizer que o PT é uma organização criminosa”, afirmou.
‘Desobediência’. A estratégia do partido é a de incentivar protestos contra a decisão do TRF4, sob o argumento de que Lula foi condenado sem provas por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusado de receber da OAS um triplex no Guarujá (SP), em troca de favorecimento à empreiteira por meio de contratos da Petrobrás. O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (PT-RJ), defendeu a ocupação das ruas para proteger o ex-presidente. “Não nos peçam passividade nesse momento. Há uma ditadura de toga nesse país. Não podemos mais dizer que vivemos numa democracia e agora só temos um caminho: a rebelião cidadã e a desobediência civil”, disse ele. “Vão fazer o quê? Prender o Lula? Vão ter de prender milhões de brasileiros antes.” O mesmo tom foi usado por Humberto Costa (CE), líder da oposição no Senado. “A única maneira de barrarmos o golpe e garantir a candidatura de Lula é ir às ruas e partir para a desobediência civil”, disse.
O presidente do PT paulista, Luiz Marinho, chegou a afirmar que Lula não será preso sob nenhuma hipótese. “A prisão pode ser o desejo de muita gente, mas não vão assistir a isso”, disse o petista, que é pré-candidato do PT ao governo de São Paulo. “Se o Judiciário tirou as coisas dos eixos, o que vamos fazer? Ficar de braços cruzados? Estão querendo botar fogo no País. Depois não venham dizer que somos culpados.” Diante de uma plateia que gritava “Brasil/Urgente/Lula presidente”, o deputado e advogado Wadih Damous (PT-RJ) comparou a decisão do TRF-4 ao fascismo. “Aquele julgamento foi absolutamente coerente com o que acontece hoje no Brasil em que o sistema jurídico é o pilar do fascismo.”
Greves. Ao participar do desagravo a Lula, o líder do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse que a condenação de Lula não será aceita “de maneira nenhuma”. “Aqui vai um recado para a dona Polícia Federal e para o ‘seu’ Poder Judiciário: não pensem que vocês mandam no País. Nós impediremos que Lula seja preso. Esse é o nosso compromisso”, provocou Stédile. O presidente da CUT, Vagner Freitas, também foi na mesma linha e prometeu até organizar uma greve geral no País. “Nós vamos enfrentar nas ruas e desobedecer à decisão do TRF-4”, anunciou. Freitas disse que a CUT promoverá brevemente paralisações em bancos. Afirmou, ainda, que se a reforma da Previdência for votada no próximo dia 19, a entidade fará a “maior greve da sua história”. / COLABORARAM ANDRÉ ÍTALO ROCHA e THAÍS BARCELLOS
Grupos deixam Porto Alegre
Militantes de esquerda que estiveram anteontem na capital gaúcha para acompanhar julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo TRF4 desmontaram acampamento ontem.
‘Inverdades’
“Quando as pessoas se comportam como juízes, sempre respeitei, mas quando se comportam como dirigentes de partido político, contando inverdades, realmente não posso respeitar.”
Luiz Inácio Lula da Silva
EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA
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Resolução lança Lula ao Planalto e propõe aliança de esquerda
26/01/2018
Um dia após condenação de ex-presidente na 2ª instância, PT defende a ‘unidade com os partidos e as forças sociais’
A cúpula do PT ignorou a decisão do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) que condenou Luiz Inácio Lula da Silva a 12 anos e um mês de prisão, mas, ao lançar ontem a pré-candidatura do ex-presidente ao Palácio do Planalto, insistiu na necessidade de uma frente de esquerda para sustentar sua campanha. Em resolução aprovada pela Executiva Nacional, o PT defendeu a formação de “uma ampla e sólida aliança” com os demais partidos desse campo em torno de Lula na eleição de outubro. No documento intitulado “Com Lula e com o povo, até a vitória em outubro!”, a Executiva da legenda afirma que é preciso “aprofundar o diálogo e manter a unidade com os partidos e forças sociais, buscando formar ampla e sólida aliança com todos que se coloquem de acordo com o programa de governo” que o PT está construindo. Até agora, no entanto, os principais parceiros do PT em outras campanhas, como o PC do B e o PDT, mostram disposição em lançar candidatos próprios à Presidência da República. A deputada Manuela D’Ávila é o nome anunciado pelo PC do B e o ex-ministro Ciro Gomes, pelo PDT. Lula também tenta uma parceria com o PSB, principalmente em Pernambuco.
Primeiro turno. Para o vice-presidente do PT paulista, Jilmar Tatto, o ideal é que essa aliança ocorra já no primeiro turno da eleição. “Esse movimento é para construir o programa da candidatura do Lula e para governar, mas não vejo nenhuma dificuldade para este bloco buscar outro nome, se essa questão vier a aparecer”, completou ele, quando questionado sobre a possibilidade de Lula se tornar inelegível pela Lei da Ficha Limpa. A 8.ª Turma do TRF-4 manteve anteontem a condenação do ex-presidente no caso do triplex no Guarujá, aumentou a pena imposta pelo juiz Sérgio Moro e pediu regime fechado para o petista após esgotados os recursos. O líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), disse, porém, que o ex-presidente será candidato, mesmo sub judice. “Lula é o centro dessa eleição e não vamos recuar”, afirmou ele. “Não queiram enxertar no PT essa história de plano B. Nós não temos plano B”, emendou a senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do partido.
A oposição às reformas do governo Michel Temer será usada pelo PT, agora, como vetor de mobilização a favor de Lula. “Lutamos para fechar a página do golpe, pela convocação de uma Assembleia Constituinte soberana que adote reformas populares e revogue as medidas que prejudicaram o povo e o País, como a chamada PEC da morte (proposta de emenda à Constituição que institui teto dos gastos públicos), inclusive por meio de plebiscitos e referendos revogatórios”, diz a resolução que passou pelo crivo da Executiva petista. Na prática, embora o discurso oficial seja de que Lula será candidato, os petistas sabem que podem ser obrigados a substituí-lo na chapa. O PT vai recorrer da sentença do TRF-4 no próprio tribunal, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF), mas, como a decisão foi tomada por unanimidade pelos três desembargadores, a chance de reverter o quadro é remota.
Frente. “A esquerda precisa ter responsabilidade. Acho que o momento político exige essa união”, disse o presidente do PT em São Paulo, Luiz Marinho. Para o ex-ministro Alexandre Padilha, vice-presidente nacional do partido, a frente de apoio a Lula deve sair do papel em breve. “Tem muito político que não vai querer ficar com a imagem de algoz dele”, observou Padilha.
APÓS REVESES, O CANDIDATO
4.3.2016
A Polícia Federal conduziu coercitivamente Lula para depor em São Paulo. No mesmo dia, o ex-presidente discursou na sede do PT.
"Eu me senti ultrajado, como se fosse prisioneiro, apesar do tratamento cortês do delegado da polícia federal. (…) Se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo. A jararaca tá viva, como sempre esteve.”
10.5.2017
Interrogado no âmbito da ação sobre o triplex do Guarujá (SP), Lula disse ao juiz federal Sérgio Moro que pretendia sair candidato.
"Estava encerrando a minha carreira política, porque, se eu quisesse ser candidato, eu seria em 2014, mas agora, depois de tudo que está acontecendo, eu tô dizendo em alto e bom som, vou querer ser candidato à Presidência da República outra vez.”
12.7.2017
Lula é condenado a 9 anos e 6 meses de prisão no caso do triplex do Guarujá. No dia seguinte, discursou na sede do PT em São Paulo.
"Se alguém pensa que com essa sentença me tiraram do jogo, podem saber que estou no jogo. Até agora não tinha reivindicado, mas vou reivindicar que quero o direito de me colocar como postulante a candidato pelo PT à Presidência do Brasil.”