Título: No Brasil, comissão ainda indefinida
Autor: Vicentin, Carolina
Fonte: Correio Braziliense, 16/04/2012, Mundo, p. 12
No Brasil, comissão ainda indefinida
Enquanto muitos vizinhos latino-americanos julgaram autores de violações de direitos humanos — ou, pelo menos, deram às famílias das vítimas o acesso às informações da época do regime —, no Brasil o assunto anda a passos lentos. "Por muito tempo, as instituições estatais brasileiras, em particular as relacionadas às Forças Armadas, não deram informações à sociedade", lembra Eduardo González, diretor do Programa Verdade e Memória no Centro Internacional pela Justiça de Transição (CIJT). Não por acaso, a Corte Interamericana de Direitos Humanos abriu um inquérito, no mês passado, para apurar a morte do jornalista Vladimir Herzog nos porões da ditadura em 1975. Em 2010, a mesma corte condenou o Brasil pelo tratamento dado aos parentes das vítimas da Guerrilha do Araguaia.
Uma medida importante para rever a atual abordagem brasileira ao assunto é a instalação da Comissão da Verdade. A criação do grupo foi aprovada pela presidente Dilma Rousseff no fim do ano passado, mas, até agora, a iniciativa não saiu do papel. "A Comissão da Verdade é uma oportunidade para que o Brasil conheça o seu passado autoritário", diz González. "Mas ela não deve ser encarada como uma alternativa à Justiça, e sim como um complemento", ressalta. O pesquisador do CITJ vê com bons olhos o envolvimento da sociedade no assunto, especialmente dos jovens. "É importante assegurar que os tribunais cumpram o seu trabalho e que haja um interesse amplo das pessoas sobre isso", defende.